A defesa do ex-prefeito de Urussanga, Luis Gustavo Cancellier, entrou com um novo pedido de revogação da prisão preventiva. Desta vez, o pedido foi encaminhado ao juiz da Comarca de Urussanga, já que, com a renúncia do mandato, Cancellier perdeu o foro privilegiado. No pedido de revogação, a defesa destacou que a prisão preventiva de Cancellier dura mais de 100 dias, não tendo ainda razões para a sua manutenção. O ex-prefeito está preso preventivamente desde o dia 27 de junho na ala da enfermaria da Penitenciária Industrial de Joinville, após ter ficado pouco mais de um mês em prisão domiciliar.

Conforme apurado pela reportagem, o Ministério Público de Santa Catarina foi intimado nesta sexta-feira, dia 2, para se manifestar sobre o pedido feito pela defesa. Se o juiz da Comarca de Urussanga não deliberar o pedido antes desse prazo, ainda há um período aproximado de 15 dias até sair o despacho final.

O que a defesa alega

A defesa destaca que Cancellier não representa perigo ao andamento das investigações e à ordem pública e econômica, já que ele não é mais o prefeito de Urussanga. O advogado ainda apresentou que não houve superfaturamento nos dois lotes adquiridos pela prefeitura que foram alvos da denúncia. Sobre o terreno para a construção da terceira Área Industrial, a defesa apresenta avaliações feitas por corretores de imóveis para afirmar que a prefeitura não adquiriu o lote por valor superfaturado. Além disso, os advogados de Cancellier mostram exemplos de outros loteamentos privados, com características parecidas, que possuem valores próximos.

Sobre o segundo lote, adquirido com a finalidade de construir uma nova garagem municipal, a defesa também alega que a compra estava nas propostas do plano de governo, durante a campanha de 2020. O advogado ainda cita que, após a primeira fase da Operação Terra Nostra, Cancellier determinou a suspensão imediata do pagamento das parcelas faltantes do lote. A defesa também apresentou o parecer técnico de três corretores diferentes sobre o preço do lote. Conforme a defesa, o valor apresentado pelos corretores e pela perícia da Polícia Civil são próximos ao valor em que a prefeitura adquiriu o imóvel, não configurando como uma tentativa de desvio de dinheiro público.

Outros pontos ainda são mencionados pela defesa de Cancellier para a revogação da prisão preventiva: questão familiar, possíveis inimizades políticas, dentre outros.

Relembre

O ex-prefeito, junto com dois vereadores e um ex-servidor comissionado da prefeitura, foi preso no dia 16 de abril na Operação Terra Nostra. Em 24 de maio, Cancellier passou para a prisão domiciliar após a defesa alegar problemas de saúde. Porém, no dia 27 de junho, o Tribunal de Justiça determinou a volta para a prisão preventiva. Desde então, Luis Gustavo está preso na ala da enfermaria da Penitenciária Industrial de Joinville. No dia 1º de julho, Luis Gustavo renunciou ao cargo de prefeito. Os outros três envolvidos na operação estão liberados.

A Operação Terra Nostra foi desencadeada pela Polícia Civil, através da 2° Delegacia de Combate à Corrupção. A primeira fase da ação foi realizada no dia 21 de março e a segunda, que resultou na prisão preventiva dos quatro envolvidos, no dia 16 de abril. A operação apurou a suposta aquisição de terrenos superfaturados por parte da prefeitura de Urussanga.

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