Natural da comunidade de São Luís, em Imaruí, Geraldo Antônio de Souza dedica diariamente a sua vida ao esporte. Desde 2006 como presidente da Liga Urussanguense de Desportos (LUD), Geraldo promove diversos campeonatos amadores e é responsável por movimentar esportivamente a região. Mas sua trajetória no segmento iniciou muito antes de assumir a presidência da liga. Em sua cidade natal, desde criança, ele tomou gosto pelo esporte. “Eu desde pequeno era fanático por futebol. A gente trabalhava na roça, mas a nossa folga, o meio-dia era bater bola, ao invés de descansar um pouco, era bater bola”, relembrou.
Ainda em Imaruí, Geraldo foi presidente do Nacional de São Luís e também, na época, jogava como goleiro. Além disso, ele contou que era um arqueiro artilheiro. “Eu jogava aspirante de centroavante e de goleiro titular, só que eu salvei muitas vezes o time aí num titular, fazendo gol de falta”, lembrou. Ele contou que marcou 32 gols de falta em um ano como goleiro e as rádios o apelidaram de Chilavert, goleiro paraguaio, que na época, também era conhecido por marcar gols de bola parada. O imaruense conheceu sua esposa, Irene Hellmann, em encontros de Grupo de Jovens. Ela é natural de Vargem do Cedro, cerca de seis quilômetros de onde ele morava. O casal tem dois filhos, Willian e Marcos. Apesar do sucesso, Geraldo passou por dificuldades em sua vida. “Eu tinha um bar, eu era presidente do time, tudo lá, e no fim começou a dar pra trás, pegou fogo na época, pegou fogo no meu bar, perdi tudo”, contou.
Geraldo relembrou que estava assistindo uma partida entre Brasil e Peru e, quando foi dormir, o local pegou fogo. “Na época, eu tava assistindo o jogo em casa, tinha fechado o bar, a casa era bem do ladinho do bar e logo depois do jogo a gente foi pra cama e não deu tempo, o bar tava pegando fogo, então deve ter dado algum curto-circuito”, comentou. “A gente ficou meio desesperado e a gente não tinha como lidar com isso”, completou. Ouça a entrevista completa realizada no programa Ponto de Encontro:
Parte 01
Parte 02
Após o ocorrido, Geraldo que, na época já era casado e tinha seus dois filhos, recebeu o convite de um amigo que trabalhava no supermercado Althoff de Urussanga. Ele então veio com a família para a Benedetta em 1998, com seus 28 anos de idade, e começou a trabalhar no estabelecimento, onde ficou por oito anos. A princípio, o imaruense residia em Cocal do Sul, de aluguel, até comprar uma casa no bairro Bom Jesus, em Urussanga.
Após dois anos no município, Geraldo se tornou presidente do bairro Bom Jesus após uma eleição da comunidade e lá havia um campo de futebol suíço feito de areia. Ele afirmou que a comunidade abria o centro comunitário do bairro no final de semana. “A gente abria o barzinho e fazia uns joguinhos e o pessoal começou a comentar: ‘vamos criar um campeonatozinho, um campeonatozinho de futebol suíço’, porque na época não existia campeonato aqui na região, muito menos futebol suíço”, contou.
No primeiro ano, a competição teve quatro equipes, já no segundo, 12 participaram; e assim, foi crescendo o chamado Campeonato da Amizade, que teve sua última edição em 2019, por conta da pandemia de Covid-19. Em 2006, ele foi convidado para ser o presidente da LUD, onde está até hoje. Sua primeira organização na Liga foi a Copa Sul. Ele reafirmou sua dedicação ao segmento. “Minha vida foi no esporte, ou jogando ou organizando competições”, disse.
O imaruense também destacou que já teve que colocar seu próprio dinheiro para fechar premiações de algumas competições. “Às vezes eu tirava o dinheiro do bolso, do que eu ganhava, para chegar no final do campeonato, dar em premiação, coisa que faltava dinheiro, porque arbitragem, algumas equipes às vezes não pagavam inscrição”, explicou.
Até nos dias de hoje, ele tem desafios e momentos em que precisa lidar com críticas e descontentamentos. “Os próprios pais, não sei onde é que eles encontram meus contatos, os próprios pais mandam mensagem xingando a gente em competições”, relatou. Mas apesar dessas desavenças, o presidente busca qualificar cada vez mais as competições. “A gente tenta fazer da melhor maneira possível as competições, organizado com segurança, com tudo. Então, graças a Deus a nossa liga é a que menos tem situações de problemas e de brigas”, enfatizou.
Geraldo segue movimentando o esporte da região em diversas modalidades, inclusive com campeonatos que envolvem mais de 4 mil crianças, de Imbituba à Passo de Torres. Hoje tem seu estabelecimento junto com sua esposa Irene e destacou que atualmente passam mais tempo juntos do que no início. “Parece que a gente tá vivendo a vida de casal agora, mais agora do que antigamente”, afirmou.


































