Após a aprovação no Senado do Projeto de Emenda Constitucional que extingue a escala de trabalho “6×1”, o setor produtivo de Santa Catarina manifestou preocupação com a direção econômica que o país pode tomar. A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) entende a medida como um risco estrutural e alertou sobre possíveis aumentos e impactos no mercado. “A gente está frente a uma medida estrutural de transformação da economia brasileira e que vai ter impactos negativos, digamos assim, para o processo de desenvolvimento, para a competitividade, da indústria em particular, mas tem um peso também sobre a inflação no próximo ano”, avaliou Pablo Bittencourt, economista-chefe da Fiesc, em entrevista ao Comando Marconi.
O receio inicial contempla principalmente as empresas menores. A percepção da federação é de que há indefinições sobre especificidades para diferentes segmentos e tamanhos de negócio. “As empresas que têm baixo nível de escala econômica vão sofrer mais porque não têm acesso a linhas de financiamento atrativas, porque podem enfrentar um mercado mais restrito. Então, eu diria que aí está uma grande lacuna, uma indefinição que a gente tem sobre o que deve acontecer com as diferentes empresas”, apontou Bittencourt.
O prazo inicial estabelecido também é considerado inadequado pela organização. Pablo julgou que a medida foi tomada de forma mais acelerada do que devia. “A gente vê com grande preocupação uma medida que é tomada com impacto para daqui a 60 dias a gente já tem uma redução de duas horas, e no ano que vem, mais duas. Então eu diria que é uma medida, digamos assim, até em certa medida atropelada. Você não toma uma medida estruturante dessas sem um longo período de transição e sem levar em consideração especificidades”, afirmou o especialista.
Sob a ótica da Fiesc, o melhor caminho para contornar os desafios do mercado passará por uma combinação de condutas. “Para minimizar o impacto, eu diria que é uma combinação de uma gestão macroeconômica muito competente, com a construção de instrumentos que olhem as especificidades de porte e de tipo de atividade”, afirmou. Ouça mais:
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