O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é lembrado nesta quarta-feira, 10 de setembro. O Setembro Amarelo é uma campanha internacional, mas teve início no Brasil em 2015. A campanha busca intensificar ações de prevenção ao suicídio. De acordo com a psicóloga Aliny Dagostin, da Unimed Criciúma, a saúde mental continua sendo um tabu, embora as novas gerações já lidem melhor com o tema. “A gente acaba enfrentando alguns estigmas como, por exemplo, a loucura, o preconceito, uma questão às vezes moral”, contou. “É nessa visão de força que, muitas vezes, a gente não trata os transtornos mentais e, quando a gente faz isso, eles acabam se prolongando e piorando”, alertou. Além disso, segundo Aliny, a sociedade atual vive um mundo mais performático, principalmente nas redes sociais, onde todos se mostram felizes. “A gente está silenciando as nossas angústias e não dá espaço para falar sobre o que deixa triste, não dá espaço para ser vulnerável, para pedir ajuda”, acrescentou.
A especialista reforçou que sentir tristeza e ansiedade é comum. “São emoções do ser humano, elas são essenciais, cada emoção tem uma função”, explicou. Porém, quando essas emoções afetam a vida da pessoa, é hora de falar e pedir ajuda. “É importante buscar uma ajuda para que você consiga viver melhor. E também a gente pode buscar a terapia como uma forma de autoconhecimento para lidar melhor com as coisas do dia a dia”, pontuou a psicóloga. “Não é uma questão de hipervigilância e, sim, um lembrete para a gente tomar mais cuidado com as pessoas, para a gente ter mais cuidado”, comentou Aliny sobre a campanha do Setembro Amarelo. “Muitas vezes a gente se coloca à disposição e já começa a falar de si. Então, só se coloca à disposição sem falar de si, escuta ativa, acolhedora, abrir espaço para que o outro fale”, contou. Ouça mais sobre o assunto na entrevista realizada no programa Ponto de Encontro:
A psicóloga ainda pontuou frases que não devem ser faladas para alguém que está sofrendo algum problema de saúde mental. Isso porque, ao não querer escutar o outro e fazer determinados comentários, a pessoa acaba minimizando a dor do outro. “É importante a gente pensar que todo o sofrimento deve ser levado em consideração e às vezes só aqueles minutos de escuta que eu faço com aquela pessoa, já faz passar o problema. Às vezes ela só precisa de uma nova perspectiva”, salientou. “Não é uma questão que a pessoa escolhe, a gente não escolhe ter uma questão emocional. Todo mundo pode passar por um sofrimento durante a vida e a gente precisa buscar um tratamento. Então, não fica dando essas soluções simplistas porque quando envolve a parte humana é muito mais complexo”, reforçou.
Aliny também destacou o trabalho desenvolvido pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), que possui o canal 188 disponível 24 horas. “São pessoas ali que são treinadas para ouvir”, explicou. Além disso, a psicóloga contou que universidades que possuem curso de Psicologia também oferecem atendimento gratuito, além dos postos de saúde, que contam com profissionais especializados. “Muitas vezes, nesse momento de crise difícil que a gente está passando, a gente pensa que ele nunca vai passar, que ele não tem solução, mas é importante a gente pensar que, sim, durante a vida as coisas têm solução, elas vão passar, a gente só precisa buscar uma outra pessoa, uma ajuda, ter uma esperança”, frisou.
Ver essa foto no Instagram






































