O hematoma subdural crônico é caracterizado por ser um acúmulo de sangue em uma região entre o cérebro e a calota craniana. De acordo com o doutor Luiz Antônio Lavradas, neurocirurgião do Hospital São José, esse hematoma pode gerar algumas repercussões no cérebro. Segundo o especialista, pacientes idosos são mais acometidos pelo problema. “O cérebro, quando é jovem, ele ocupa quase que toda a calota craniana. No paciente mais idoso, esse cérebro começa a diminuir, a gente chama de atrofia, é normal da idade. Com isso, criam espaços entre o cérebro e a calota craniana e, por vezes, esses idosos, após uma queda ou após o uso de alguma medicação que favoreça sangramento, que afine o sangue, podem sofrer um trauma e romper pequenos vasos no cérebro. Esses vasos começam a sangrar e acumular nesses espaços que passaram a surgir com a idade”, explica.

O doutor Luiz Lavradas ainda esclarece que alguns sinais são notados no paciente que possui o problema. “Há uma mudança importante do comportamento, algo associado à confusão mental ou alguma fraqueza em algum dos membros, dificuldade de fala, geralmente é um quadro um pouco arrastado, que pode levar uma, duas semanas com evolução progressiva, a gente tem que ligar um alerta e buscar o quanto antes o atendimento”, destaca. O assunto foi abordado em entrevista no programa Ponto de Encontro. Entenda mais:

 

A tomografia de crânio é um dos principais exames que identificam o problema. Porém, conforme o neurocirurgião, outros procedimentos, como a ressonância magnética, fornecem informações mais detalhadas sobre a lesão. “Quando o hematoma não é muito grande, a gente consegue fazer ainda um tratamento conservador, por exemplo, se o paciente toma alguma medicação que afine o sangue como antiagregantes ou anticoagulantes, a gente pode suspender e observar o paciente para ver se ele tem uma melhora, se o corpo responde e reabsorve. Porém, em casos que estão muito grandes, que não respondem a nada ou que estão levando a déficits no paciente, aí são necessários lançar a mão de tratamento cirúrgico”, comenta o doutor sobre os tratamentos.

Recentemente, o ator global Tony Ramos foi diagnosticado com o hematoma. No caso dele, conforme o especialista, foi necessário uma trepanação. “É um orifício no crânio do paciente com um pequeno corte, onde, após abrir esse orifício, a gente abre a cápsula lá do hematoma, evacua esse hematoma de dentro, descomprimindo aquele cérebro, e é mantido por alguns dias um dreno naquele local que impede que recolete essa coleção, esse hematoma no local e o cérebro possa reocupar novamente aquele espaço que o hematoma tinha tomado para ele”, explica o doutor.