O estilo de vida e os hábitos alimentares mudaram muito nos últimos 30 anos. Nesse ponto também houve o aumento da prevalência de doenças alérgicas. Para a doutora Ana Paula Moschione Castro, membro do Departamento Científico de Alergia Alimentar da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), ainda existem muitos mitos que geram obstáculos sobre o assunto. “A nossa maior causa de alergia alimentar aqui no Brasil é o leite de vaca, que é um alimento que muita, muita gente consome. Então esses mitos acabam sendo um obstáculo para quem padece da doença”, comenta.

A especialista ainda destaca que existem outros desafios, principalmente no país. “Um outro aspecto é quando você tem esse diagnóstico, algumas vezes a gente precisa de medicações com uma adrenalina autoinjetável que a gente não tem aqui no Brasil. Outro aspecto é que algumas vezes as crianças precisam de fórmulas específicas e a gente não tem, e a distribuição não é uniforme no Brasil. Então, tem muita coisa que pode ser feita”, afirma. “Outro obstáculo é a falta de comunicação adequada, que faz com que às vezes as pessoas achem que a alergia ao leite de vaca é igual a intolerância à lactose. Enfim, uma série de coisas que acabam dificultando”, acrescenta.

Superando os Obstáculos em Alergia Alimentar é o tema escolhido pela World Allergy Organization (WAO) para a Semana Mundial da Alergia, que acontece de 23 a 29 de junho. O assunto foi abordado em entrevista no programa Ponto de Encontro com a doutora Ana Paula. Ouça mais na íntegra:

 

Para a ASBAI, o Brasil possui cinco principais obstáculos em alergia alimentar que precisam ser superados: aleitamento materno, diagnóstico, teste de provocação oral (TPO), reação alimentar por contato cruzado e autoinjetor de adrenalina. “Lembrando que todos podem ajudar, o dono do restaurante entendendo que tem alergia alimentar, a pessoa que vai no restaurante de quilo e que às vezes mistura as colheres e pode ter esse tipo de contaminação, uma rotulação adequada, tem muita coisa que todo mundo pode ajudar”, exemplifica a especialista.