Professores e pais de alunos que estudam na Escola de Educação Básica Estadual Doutor Tullo Cavallazi, no bairro Rio Fiorita, em Siderópolis, estão se posicionando contrários à municipalização da instituição. De acordo com a professora Fabíola Padilha Caetano Bez, que também faz parte da Associação de Pais e Professores (APP), a comunidade está unida e mobilizada. “Estamos também realizando um abaixo-assinado. Já temos mais de 800 assinaturas. Temos o apoio da maioria dos vereadores aqui da Câmara de Vereadores de Siderópolis”, afirmou, acrescentando que já foi realizado uma reunião com a Coordenadoria Regional de Educação para discutir sobre o assunto, além de uma reunião com o prefeito. “Deixamos bem claro que a comunidade é contra o processo de municipalização da nossa escola, porque a nossa escola, hoje, presta um ensino de qualidade, atende mais de 180 alunos, sendo desses 23 de educação especial”, salientou.

Segundo Fabíola, a comunidade escolar não vê motivos para a municipalização do colégio. “A Escola de Educação Básica Doutor Tullo Cavallazi é a única escola estadual de Siderópolis que tem ainda o Fundamental 1, que é do 1° ao 5° ano. E, se acabar, se municipalizar, não teremos mais essa oferta na cidade de Siderópolis. Então é uma luta bem intensa e difícil, mas não impossível”, frisou. A professora Adriana Perdoná Pazetto, que é membro do conselho deliberativo da APP, também destacou preocupação com a possível municipalização. “O que mais incomodou a gente nessa situação é que não fomos, em nenhum momento, consultados pelo poder municipal”, disse, explicando que os professores souberam da situação no final de julho, durante o recesso escolar, por um vídeo nas redes sociais. “Esse processo de municipalização é legal, a gente sabe que o Estado tem esse programa, porém, ele tem um protocolo a ser seguido”, ressaltou.

Adriana disse que esse pedido de municipalização deveria ter sido feito na Coordenadoria Regional de Educação. “Esse pedido sendo protocolado, nós seríamos avisados, teria que ser feito uma assembleia com a comunidade para saber se a comunidade quer ou não essa municipalização. Só que, pelo que a gente compreendeu, não foi feito o pedido na CRE, foi feito um acerto lá em Florianópolis, de gabinete, com a secretária de Educação, não sei ao certo, porque nós não fomos consultados, não fomos chamados para reunião nenhuma, apenas fizemos uma reunião com o prefeito para expor o nosso posicionamento”, contou. Mesmo que o protocolo tivesse sido seguido, Adriana destacou que a comunidade ainda seria contra à municipalização. “O Estado promove uma educação de qualidade e não há necessidade do prefeito tomar nossa escola”, salientou. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista no programa Comando Marconi com as professores Fabíola e Adriana e também com as mães Simone da Silva e Kettelin Prestes, que também fazem parte da APP. Ouça:

 

O que diz o secretário de Educação

Em entrevista, o secretário de Educação, Méricles Rossa, afirmou que o município precisa da Escola de Educação Básica Estadual Doutor Tullo Cavallazi. “Nós pegamos o município há quatro anos atrás em torno de mil crianças. Hoje nós estamos com 1.500. A gente criou, nesse meio tempo, 400 novas vagas. E não conseguimos suprir”, comentou. “Eu já fui diretor por mais de 20 anos também de escola estadual e, desde aquela época, 2006, 2007, já se discutia municipalização. O governo estadual vai ficar só com o Ensino Médio, é gradual e está indo. Chega uma hora que vai acontecer isso, como está acontecendo em Cocal, como aconteceu em Criciúma, como aconteceu em Içara, e Siderópolis precisa”, afirmou. “O município hoje necessita, frequentemente está sendo atuado pelo MP por falta de vagas, aí a gente se defende, coloca a situação, o Ministério Público também muito solicito com a gente, sempre entendendo”, falou. O secretário ainda afirmou que não haverá mudanças na escola além da municipalização. “Vai ser tudo igual, a comunidade de Rio Fiorita pode ficar tranquila. A única coisa que irá mudar seria esses quatro, cinco professores de Siderópolis, que já são da rede municipal também, e o restante permanecerá tudo igual, o transporte escolar, a merenda, a contratação das duas serventes e merendeiras”, disse. Ouça:

 

A reportagem da Rádio Marconi entrou em contato com a coordenadora Regional de Educação, Ronisi Guimarães, para que explicasse como funciona o processo de municipalização de escolas na região. A coordenadora disse à produção apenas o seguinte: “Assim que tivermos a decisão, entro em contato”.

Entre em nosso grupo do WhatsApp e receba as principais notícias que foram destaques na programação da Marconi 99.9 FM.