Apesar do aumento de mulheres nas faculdades de engenharia, a representação feminina na profissão ainda continua baixa no Brasil. Na semana do Dia Internacional da Mulher na Engenharia, órgãos e entidades buscam fortalecer a importância do debate de mais mulheres na área. De acordo com a engenheira Kamila Rodrigues da Silva, o país possui apenas 1/4 de engenheiras mulheres, representando 25%. Desse total, há muitas profissionais que são formadas e registradas, mas que não atuam na área por falta de oportunidade. A data foi lembrada no último domingo, dia 23. Para destacar sobre o tema, o programa Ponto de Encontro realizou uma entrevista especial com a engenheira Kamila. Ouça na íntegra:

 

Kamila, que também é professora universitária, destaca que houve um aumento de alunas nas salas de aula comparada à época em que se formou, em 2003. “Hoje as salas de aula já estão 50 a 50. Só que o nosso problema hoje é que a mulher não se encoraja, então por isso que a gente está fazendo esse trabalho já desde 2020, a gente começou com esse programa, que é o programa Mulher do Confea (Conselho Federal de Engenharia e Agronomia) em todo o Brasil. Aí veio a pandemia e tudo, a gente teve que parar, depois retornamos, por quê? Porque a mulher se contenta a ganhar menos que o homem, então na engenharia existe isso, acredito que não só na engenharia, mas na engenharia é muito forte”, comenta Kamila, que também representa o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-SC).

Conforme a engenharia, o conselho desenvolve ações com o objetivo de fazer com que a mulher se imponha mais no trabalho. “Hoje as empresas, por tu ser mulher, tu tens que ganhar menos, por tu ser mulher tu não pode ser uma gerente, tu não pode ter um cargo de liderança, tem que estar sempre abaixo. Então, tem muitas mulheres que se formam e se sujeitam a isso, não se impõem. Hoje, o trabalho que a gente faz é para as mulheres se imporem, de dizer assim ‘eu posso ter um cargo de gerente, eu posso sim ter um cargo de confiança pelo meu profissionalismo'”, destaca.

Kamila atua na área de construção civil. Por ser mulher, percebe que ainda há muito preconceito na área, principalmente em obras. “Por isso que muitas mulheres não se encorajam de ir para obra, por conta de chegar e dizer ‘ah, mas é tu que vai me dar ordens?’. Eu mesma já passei por casos assim, ‘mas menina, enquanto tu tinha nascido eu já era pedreiro’, e aí a gente tem que saber lidar porque nós não somos melhores que ninguém, talvez eles tenham uma maturidade que vem daquele machismo”, afirma.