O Dia do Imigrante faz uma lembrança às pessoas que deixam seus países de origem em busca de novas oportunidades. No passado, a imigração de diferentes povos contribuiu para a formação de novas identidades. Isso pode ser notado no Brasil, um país de diferentes culturais étnicas. Em Santa Catarina, especialmente na região Sul, os reflexos da imigração podem ser observados até os dias atuais, tanto no desenvolvimento quanto na identidade cultural das cidades. Para Idemar Ghizzo, doutor em Museologia, a identidade da região é ampla. “Só na Colônia Grão-Pará são 16 etnias comprovadas que colonizaram só uma colônia. A gente sabe que as colônias, tanto Azambuja, Grão-Pará, Nova Veneza ou Braço do Norte, não ficam longe desse número de imigrantes. Uma mais, outra menos, mas a gente se baseia nessa quantidade de imigração”, falou.

De acordo com o museólogo, Santa Catarina é um grande mosaico, fazendo com que não se tenha uma identidade definida. “No Rio Grande do Sul, você nasce gaúcho e morre gaúcho. Em Santa Catarina, dependendo de onde você nascer, você é descendente de uma etnia e você defende essa etnia. Depende da região”, explicou. “Por causa disso que nós temos informação de uma etnia catarinense, mas nós temos no coração uma etnia local, uma etnia de cada cidade”, salientou. Para destacar o Dia do Imigrante, lembrado em 25 de junho, o programa Ponto de Encontro realizou uma entrevista especial com o museólogo Idemar Ghizzo. Ouça na íntegra e saiba mais:

Parte 01

 

Parte 02

 

O especialista comentou que Santa Catarina possui várias tipologias de colonização, desde a espontânea, passando pela imperial, pela privada e até a de república. “Cada um tem, digamos, uma certa característica de ocupação”, disse. Idemar usou como exemplo a Colônia de Azambuja, em Pedras Grandes. “A gente fala Colônia Azambuja e a gente pensa que os imigrantes vieram em Azambuja e só. Aí você entende que a Colônia Azambuja vai do Rio Tubarão até a divisa com o Rio Grande do Sul. Todo esse território é Colônia Azambuja, o pessoal confunde muito isso”, observou. “Quando você volta atrás, você vê que, antes de 1870, isso aqui era tudo Laguna, até a divisa São Pedro, que é o Rio Grande do Sul”, acrescentou. A Colônia Azambuja é originaria da Colônia de Tubarão, que surgiu ainda através de Laguna.

Na época da imigração no Sul catarinense, as famílias chegavam na região com o objetivo de colonizar novas terras. Idemar destacou que isso era diferente do que chegar em um novo local onde já se tinham terras desbravadas e com plantações agrícolas. “Pela documentação, a gente vê que o imigrante foi a primeira mercadoria comercial para a nossa região. Ele tinha um valor por cabeça posto aqui”, falou. O pesquisador explicou que muitos dos imigrantes que chegaram ao Brasil deixaram para trás uma realidade de pobreza e escassez de terras na Europa. Em algumas localidades da Itália, de onde partiram muitas famílias rumo ao Sul catarinense, as antigas vilas hoje estão praticamente abandonadas. “Quando nós tivemos a oportunidade de retornar a esses lugares?”, analisou.

Confira a entrevista com o museólogo Idemar também em vídeo:

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