Desde a época da juventude, o urussanguense Gilson Fontanella é conhecido como Paura. De origem italiana, a palavra significa “medo” ou “receio”. Segundo Gilson, quando pequeno, ele tinha os cabelos mais arrepiados. O apelido surgiu através de seus amigos, que pegavam no pé de Gilson por ele parecer “assustado”. “Felizmente a gente é bem lembrado pelo apelido, pelo carinho. Eu agradeço aos amigos que a gente tem desde criança”, falou Gilson. Perto de fazer 72 anos de idade, Paura é uma das figuras conhecidas da cidade de Urussanga, seja pelo empreendedorismo e pelas suas ações culturais.
Paura contou que é originário da popular “rua do Sapo”. É a rua Siqueira Campos, no centro da cidade. Segundo o urussanguense, o trecho é conhecido como rua do Sapo por algumas pessoas porque fica próximo a um rio. “O rio Urussanga aflorava com facilidade e tinha muitas nascentes ali, e aquelas baixadas ali, normalmente, estava sempre alagado, aqueles sapinhos batendo todo dia, o sapo batia a noite inteira”, explicou. O urussanguense ainda disse que seu parto foi realizado em casa. “A grande parteira que Urussanga tinha se chamava Lúcia Delfino. Aquela mulher que morava no bairro Da Estação, minha mãe sempre agradeceu, sempre era costume agradecer e fazer as orações para Lúcia Delfino”, comentou.
A infância de Paura foi parecida com a de muitas famílias do Sul catarinense. Paura trabalhou na roça junto com seus pais, na agricultura de subsistência. “Empregos tinham poucos, apesar do meu pai ser também um bom carpinteiro e tudo mais, mas ele trabalhava no dia a dia na roça, junto com a minha mãe e nós, em cinco filhos, não era diferente”, disse. “Nós sempre trabalhamos na roça, mas chegou um ponto que o meu pai sempre dizia que ‘o lugar de vocês não é na roça, vão estudar'”, relembrou, acrescentando que ele e os irmãos estudaram na Escola Barão do Rio Branco. “Eu estudei até a segunda série e depois fui para o Rainha do Mundo”, contou. Depois, Paura passou no exame de admissão na Escola Técnica Federal de Santa Catarina, em Florianópolis, onde realizou o curso técnico em Edificações.
Durante essa época, Paura trabalhou na área de construção civil, até retornar para Urussanga e iniciar sua carreira nas Empresas Eliane. “Aquela vez, quando eu cheguei ali na Eliane, o seu Maximiliano Gaidzinski, grande empreendedor de origem polonesa, disse assim ‘aqui tem trabalho para quem quiser’, aí respondi para ele assim ‘seu Maximiliano, eu já entrei aqui com as mangas da minha camisa arregaçadas’. E, dessa maneira, eu me aposentei lá”, pontuou. Gilson Fontanella participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro e falou mais sobre a sua história de vida, carreira profissional, seu empreendimento e participação em entidades sociais e culturais. Ouça na íntegra:
Durante a entrevista, Paura contou que o irmão de seu nono foi um dos primeiros da família Fontanella a chegar em Urussanga, na época da imigração italiana, por volta de 1880. “Ele, em seguida, mandou dizer lá para Longarone que os familiares dele poderiam vir aqui, que aqui estava já mais ou menos preparado, já tinham comprado terras, e assim o fez. O meu bisavô veio juntamente com o meu nono, Batista Fontanella, com 11 anos, que é o construtor da Igreja Matriz Nossa Senhora e a torre”, falou. Segundo Paura, seu avô veio da Itália já com certa instrução. Depois de casado, aprendeu os ofícios de carpinteiro e construtor. “Batista Fontanella foi um grande construtor, não gostava de ir para a roça, deixou para a nona trabalhar na roça e os filhos”, disse.
Anos depois de sua aposentadoria, Paura resolveu investir no empreendedorismo. Em junho de 2002, o urussanguense inaugurou um posto de combustíveis em Urussanga. “Na época, ficamos analisando aonde que eu poderia ter uma oportunidade, aquilo que a cidade poderia oferecer de melhor. Nós já tínhamos o terreno aqui, que foi herança do meu pai, e era o momento para colocar, sentimos a oportunidade, e daí nós evoluímos”, salientou. Em 2025, Paura participou de um episódio do podcast Urussanga que dá Certo, uma parceria entre a Associação Empresarial de Urussanga (Aciu) e a Rádio Marconi. Na oportunidade, o urussanguense falou mais sobre a história dos Postos Urussanga e Fontanella (CLIQUE AQUI E CONHEÇA).
Confira a entrevista realizada em vídeo:




































