O trabalho de Marileia De Noni está presente em muitos vestidos e ternos confeccionados ao longo de 65 anos em Urussanga. Com quase 80 anos, a costureira acumula a confecção de diversos vestidos de noivas, debutantes, festas e também os trajes das rainhas e princesas da Festa do Vinho. Ao longo das décadas, o trabalho realizado em casa se transformou em uma importante fonte de renda para a família e também gerou oportunidades para outras pessoas. Toda a relação de Marileia com a costura iniciou ainda na adolescência. Na época, a urussanguense queria ser professora, mas seu pai via outro caminho. “Acho que ele tinha uma visão de futuro para mim melhor do que eu. Eles quis que eu fosse costureira. Eu devo a minha vida de costureira, a minha profissão, ao meu pai. Eu agradeço ele todos os dias”, falou. Como presente de aniversário, Marileia ganhou a sua primeira máquina de costura aos 15 anos de idade. A máquina já era motorizada e, na época, a casa de seus pais ainda não possuía energia elétrica. Em um mês, a jovem aprendeu a costurar junto com a sua prima.

Natural da comunidade de Palmeira do Meio, a urussanguense se mudou para a região central da cidade já com fama de ser boa costureira. Durante sua trajetória profissional, Marileia chegou a ter uma loja de vestidos de noivas, mas acabou desistindo e continuou atendendo em casa. “Aí eu costurei muito mais, eu tive uma clientela muito grande de costura”, afirmou. Todos os vestidos das cortes da Festa do Vinho, da primeira edição até a última, foram confeccionados por Marileia. “A minha casa fui eu que construí com o dinheiro da costura. Construí casa na praia, meu marido ajudou também no começo a comprar o terreno, mas construí casa, comprei carro, viajei, mas com muito trabalho”, pontuou. Marileia participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro e falou mais sobre a sua carreira como costureira, além da sua relação com a fé e a igreja. Ouça na íntegra:

Parte 01

 

Parte 02

 

Várias noivas de Urussanga e região tiveram seus vestidos criados pela Marileia. “Tinham famílias que eu fazia a família inteira: fazia a noiva, fazia a mãe, fazia as irmãs, fazia a daminha, fazia o pai, alugava o terno para o pai”, falou. Ao longo da carreira, Marileia contou com a ajuda de outras costureiras, que ajudavam em muitas das suas demandas. Além disso, a urussanguense possuía bordadeiras que deixavam os vestidos ainda mais bonitos. Em entrevista, Marileia lembrou que, em 2000, realizou uma viagem para Jerusalém, na Terra Santa. A viagem foi feita, mas tendo uma lista enorme de vestidos para confeccionar. “Eu tinha tanto vestido de debutante, de noiva para entregar, e eu não consegui terminar antes da viagem. Aí eu chamei a Iracema para terminar. A Iracema chegou, viu tudo aquilo ‘meu Deus, eu não vou conseguir terminar’. Aí chamou a Neca para ajudar. As duas ficaram terminando as costuras, os vestidos de debutantes e noivas, e mães de debutantes e mães de noivas, e eu fui viajar”, contou.

A fé

Participar das atividades da igreja também é algo muito importante na vida de Marileia. Há mais de 40 anos a urussanguense faz parte da Legião de Maria. “Eu tenho certeza absoluta que, se eu enfrentei tantos problemas que surgem na vida da gente, que nem tudo é alegria, surgem os espinhos, não é só rosas, tem os espinhos na vida da gente, foi porque eu participava da igreja, rezava diariamente o terço”, falou. Como costureira, Marileia também confeccionou as batinas dos padres que passavam por Urussanga e também de vestes utilizadas em procissões religiosas.

Confira a entrevista em vídeo: