A leishmaniose é uma zoonose transmitida pela picada do mosquito-palha infectado. Esse tipo de mosquito se desenvolve nas épocas mais quentes do ano e se encontra, principalmente, em matéria orgânica, como em lixos, sujidades e onde há criação de galinhas, de acordo com o médico veterinário Luís Antônio Sangioni. A leishmaniose possui dois tipos que podem afetar humanos e animais: cutânea e a visceral. “A cutânea, que também é chamada de tegumentar, vai dar feridas na pele. Essas feridas apresentam bordas elevadas e indolores. Nós temos a forma mucocutânea, ou seja, ela vai parasitar onde tem cartilagens. Então, ali no tabique nasal, por exemplo, chega até destruir essa cartilagem do nariz. Também nós temos a forma difusa, disseminada, onde tem várias lesões por todo o organismo”, explicou Luís Antônio sobre o tipo cutâneo. Já o tipo visceral pode ter alterações no fígado, baço, aumento do abdômen e manifestações inespecíficas, como anemia e fraqueza.

Nos animais, de acordo com o especialista, o tipo visceral é mais observado. Os cães, por exemplo, são vistos como reservatórios da doença. “Muitos animais adoecem, vão ter todo o sinal clínico e tem uma parcela dos animais que não tem sinal clínico, que estão hígidos, estão bem. E esse é o grande problema porque esses animais acabam sendo reservatórios para os vetores. Então, os mosquitos vão picar esse cão que está saudável, que a gente não identifica, e ele acaba sendo uma fonte de infecção para as pessoas. Então o animal que é assintomático ou sintomático, em contato com o ser humano, passa a ser um agravo em termos de saúde pública, porque coloca aí em risco a saúde do ser humano”, esclareceu. O doutor reforçou que a leishmaniose é somente transmitida pela picada do mosquito-palha, mas que os animais são reservatórios. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista, entenda:

 

Comparada à dengue, a leishmaniose é vista como uma doença negligenciada. Isso porque muitas pessoas não sabem sobre o problema, além de não haver tantas campanhas de conscientização. Segundo o veterinário, a recomendação é sempre manter os pátios limpos de matérias orgânicas, como lixo e fezes de animais. “Não tem nenhuma ação pública no sentido de fazer essa campanha de educação em saúde para remover esses locais. Por isso que é tido como uma doença negligenciada, porque não há essa importância ou não há esse merecimento do poder público”, comentou. “Cabe aos profissionais da saúde fazer essa orientação, orientar quando observam alguma lesão ou algum sintoma que seja compatível com a doença”, acrescentou. Segundo Luís Antônio, uma recomendação é usar coleiras inseticidas nos cães para evitar que eles sejam infectados, evitando também a infecção de outros animais e de até humanos.