Mais de cinco décadas após a tragédia que marcou a história do Sul catarinense, as lembranças da grande enchente que atingiu a região continuam vivas para quem participou diretamente das operações de socorro. Uma das pessoas que vivenciou esse período foi Adenir Siqueira Viana, ou, o Major Brigadeiro Viana, que atuou nos resgates aéreos durante a catástrofe que atingiu o município de Tubarão em 1974. “A gente nunca esquece de um momento dramático como aquele”, disse. Em entrevista, Viana relembrou que, em 1974, integrava o Esquadrão de Busca e Salvamento em Florianópolis, responsável por operações em todo o país. O ex-piloto contou que o esquadrão mantinha sempre uma equipe de prontidão para buscas e resgastes. No dia 23 de março de 1974, em um sábado, Viana estava escalado como piloto de alerta. “Às oito da manhã a gente assumiu o serviço e em seguida já nos acionaram para ir para Tubarão para dar assistência lá na enchentes que estava ocorrendo lá”, falou.

O Major Brigadeiro Viana se recordou que, no sábado, a situação era considerada como controlável. “A enchente ainda estava sob controle, de alguma forma. Aí nos pedimos mais um helicóptero, pedimos combustível para organizar a operação. Mas, no sábado para domingo, aí estourou algumas barragens que foram formadas pelos deslizes da beira de montanha, ali nos rios, e aí veio uma onda, um tsunami que varreu a linha de terra, varreu a ponte, inundou a cidade de uma hora para outra”, falou. Um dos helicópteros, o que era pilotado por Viana, estava no quartel do exército e também foi atingido pela enchente. O outro helicóptero estava no pátio de uma igreja. “Às 11 horas da noite, o mecânico do meu helicóptero me acordou e pediu para eu olhar para a rua e, quando eu via a rua completamente cheia, eu me lembrei do nosso helicóptero e saímos do hotel para tentar tirar ele lá do quartel. Mas, naquela noite, a gente não conseguiu”, falou, acrescentando que o helicóptero estava com água até na altura do piso, mas que a enchente não afetou os equipamentos importantes, como bateria e motor.

Viana se lembra que as equipes usavam uma espécie de guincho que tinha no helicóptero para poder resgatar as pessoas. “A gente pairava, a pessoa pegava o guincho, tinha uma alça lá, botava a alça e a gente guinchava”, disse. “Nós estávamos nesse trabalho aí quando o mecânico falou assim ‘poxa, eu estou vendo uma senhora que está vindo com duas crianças embaixo do braço e ainda uma bolsa’. Ele ainda comentou assim ‘pô, uma bolsa nessa condição? Eu acho que vou jogar essa bolsa fora’. Depois, ele fez um silêncio danado e ele voltou emocionado e falou ‘ainda bem que não joguei fora, tinha um recém-nascido nela'”, contou. “Por sorte, estava ventando bastante e isso ajudava a gente a ficar pairando, melhorava e mitigava um pouco a falta de potência. Aí, quando a gente atingia o limite da potência, a gente pousava no pátio da igreja, desembarcava as pessoas, decolava de novo e ai fazendo isso até o dia inteiro, até acabar o combustível”, ressaltou. O Major Brigadeiro Viana falou mais sobre o assunto em entrevista ao Ponto de Encontro. Confira:

 

Em memória aos 52 anos da enchente de Tubarão, o historiador Dilson Antônio Piovesan, que estava no exército e atuou no salvamento das pessoas naquela época, também relembrou a tragédia em entrevista. Para a participação do Major Brigadeiro Viana, Dilson fez um vídeo falando mais sobre o assunto. Confira também:

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Enchente de 1974: tragédia em Tubarão completa 52 anos e ainda marca a memória de moradores