Após mais de meio século, a cidade de Tubarão ainda tem em sua história as lembranças de uma tragédia. Em março de 1974, o município passou por uma enchente que resultou em 199 mortes e vários feridos. Já são 52 anos de uma das maiores tragédias naturais de Santa Catarina. Nascido em Siderópolis, Dilson Antônio Piovesan tinha 18 anos na época e havia entrado para o Exército Brasileiro pouco tempo antes. “Parece que foi ontem, porque isso aí está gravado na memória”, disse Dilson, que hoje é historiador. “Para um recruta novato, foi uma prova de fogo, nós entramos em uma guerra”, recordou. De acordo com Dilson, naquela época não haviam equipamentos para auxiliar no resgate das pessoas. “Colete salva-vidas, naquela época, só se via em filme”, afirmou.
Dilson contou que a chuva começou na sexta-feira, piorando no sábado e domingo, dias 23 e 24 de março de 1974. Casas foram arrastadas pela correnteza, estradas desapareceram e grande parte da cidade ficou submersa. “Não existia equipamento, corda, salva-vidas. Precisava de corda, não tinha. Você entrava com três, quatro pessoas, um segurando na mão do outro, soldados, para a gente chegar lá em um ponto e retirar. Você chegava e retirava uma família com água pela cintura”, disse. “Teve gente que saiu com a chave de casa na mão e quando voltou não tinha nem a casa”, comentou. “Teve um que o rio cavou o terreno, levou a casa e o terreno junto”, acrescentou. Para Dilson, assim como para todos que viveram essa tragédia, foram dias e noites de terror.
Como quase toda a cidade foi atingida pela enchente, muitos dos resgatados sentiam fome. Piovesan relembrou que, em um desses momentos, enquanto estavam no pátio do Lar da Menina, um bezerro foi encontrado. Os soldados conseguiram pegá-lo e fizeram uma sopa para saciar a fome das pessoas que estavam no local. Piovesan ainda contou que o campo do quartel estava sendo uma área de pouso para os helicópteros. Porém, já no domingo, os soldados tiveram que abrir espaço na região da catedral, que é mais alta, porque o quartel também começou a alagar. “Eu participei da operação, derrubamos poste, cortamos árvores no facão, com corda e caminhão, e começamos a operar ali”, disse. “O quartel foi todo inundado e foi praticamente destruído a metade, porque eram galpões de madeira, não era de alvenaria”, complementou.
Piovesan não atuou depois que as águas baixaram porque a Marinha de Florianópolis passou a prestar auxílio. “A Marinha veio justamente para fazer esse serviço, de cremar os animais mortos e pessoas. Foi aberto uma vala atrás do cemitério, ali no centro, uma vala comum, onde foi enterrado ali, talvez, não que eu tenha a quantidade certa, que não tinha reconhecimento, ninguém sabia”, comentou. “Teve pessoas que enterraram ali, que ninguém até hoje reclamou, ninguém sabe de onde é que era, mas era uma tristeza”, falou. O historiador Dilson Antônio Piovesan participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro e relembrou os 52 anos da enchente de Tubarão, em 1974. Ouça a conversa na íntegra:
O historiador Dilson disponibilizou um acervo com várias imagens fotográficas da enchente de 1974 em Tubarão. Confira:




































































































































