Desde os 35 anos de idade, a urussanguense Rafaela Durante realiza consultas e exames regulares. Por ter histórico de câncer de mama na família, Rafaela nunca deixou passar um ano em branco em seus acompanhamentos. Em 2021, a urussanguense fez os exames de rotina no próprio posto de saúde da cidade, durante a campanha do Outubro Rosa. Naquela época, a enfermeira orientou que Rafaela fizesse um ultrassom de mama. “Eu fiz, ela encontrou um nódulo super pequeno, mas estava ali”, ressalta. Já sabendo dos casos familiares, Rafaela agendou uma consulta com um mastologista, o mesmo que atende outras mulheres da família. Por meio de um novo ultrassom de mama e de uma biópsia, ela esperou alguns meses de recesso do médico para retornar ao consultório.

Naquela consulta, Rafaela estava sozinha, já que estava positiva quanto aos exames. “Ele abriu, assim, Rafa: é câncer, é carcinoma, precisamos tratar”, relembra. “No momento, assim, é o primeiro impacto, que é sempre do medo, da apreensão, do susto principalmente. Você leva até algumas horas para assimilar o que está acontecendo”, complementa. Já naquela época, Rafaela iniciou uma bateria de exames para identificar qual o melhor tratamento. “Eu descobri ele em dezembro com 0,8 centímetros, quando eu fui operar ele já estava com 1,1 centímetro. Ele segue crescendo rapidamente e ativamente, ou seja, como eu reforço: tempo é vida. Quanto antes você começar o tratamento, melhor a chance de não sofrer metástase”, reforça Rafaela.

O nódulo foi retirado da mama direita, além de alguns nódulos de baixo do braço para se fazer uma nova biópsia, o que comprometeu a mobilidade de Rafaela por três meses. Um tempo depois, ela iniciou a quimioterapia, realizando quatro doses. O assunto foi destaque em entrevista no programa Ponto de Encontro com Rafaela, que contou mais sobre o diagnóstico, tratamento e superação. Ouça na íntegra:

Parte 01

 

Parte 02

 

Rafaela destaca sobre a importância de as pessoas que estão passando por um câncer terem uma rede de apoio, seja de familiares ou de amigos. “Um familiar, um parente mais próximo, se ele puder abdicar das tarefas cotidianas para acompanhar a pessoa nesse processo vai ser muito facilitado”, comenta. “Você está fraco, você está debilitado, você não consegue se alimentar direito, a boca estoura, tem muita gente que não sabe, mas dá muita reação de problemas bucais, então você não consegue se alimentar direito, é só com líquidos e papinha. Outra coisa, a gente enjoa muito até com comida sendo feita, alho, temperos, cheiro muito forte, então a gente não consegue também cozinhar”, complementa.

As pessoas que estão passando pelo tratamento do câncer acabam trocando experiências e sentimentos durante o tratamento. Em uma sala, mais de 40 pessoas passam os dias juntas. “Todo mundo está ali querendo viver, ninguém está ali pensando no amanhã, está vivendo o hoje, focado, com otimismo de enfrentar o seu câncer. Então, a gente conversa com pessoas de várias cidades que estão ali, e é incrível que cada organismo reage de uma forma diferente”, afirma Rafaela. “Eu acho que o mais importante foi que eu não me deixei abater pela adversidade, porque tem muita gente que cai no fundo da cama, não encara muito bem, acredita que é o fim da vida. Hoje, os tratamentos de câncer são muito promissores, eles prolongam muito a vida da gente”, frisa.

Durante o tratamento, Rafaela fez promessas para si mesma de sonhos e realizações que até então não tinha feito em sua vida. Um desses sonhos foi aprender a andar de roller, uma espécie de patins, no qual sempre desejou quando era criança. Começou a realizar trilhas no meio da natureza, além de aprender a dançar. “Eu acho que não existe o amanhã quando você quer realizar um sonho, e eu estou realizando todos”, ressalta. Além da rede de apoio, do carinho dos profissionais de saúde e o conforto dos colegas, Rafaela contou com participações especiais: as flores e as suas gatas. “Eu não deixei o câncer entrar na minha vida. Ele não fez parte da minha vida em nenhum momento”, destaca.