Áudios de uma mulher falando sobre os serviços do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Urussanga, têm circulado em aplicativos de mensagens. Em vários áudios, a mulher faz alegações de que há corrupção na instituição, que acontece desvio de verbas, menciona sobre a Rede Cegonha, relacionado aos trabalhos na maternidade, e sobre a gestão da unidade. De acordo com a direção do hospital, todas as alegações feitas pela mulher são infundadas.

Em entrevista, a administradora Andrea Miranda explicou que a gestão do hospital não é municipal. “O hospital é uma entidade privada, uma associação civil, beneficente e filantrópica. Isso significa que é uma união de pessoas para fins não econômicos, com a finalidade de prestar assistência. Por sermos filantrópicos nós temos que atender 60% dos nossos pacientes SUS, e hoje o hospital atende quase 90% dos pacientes SUS, nós temos uma pequena demanda para convênios e particulares. Ele não é mantido por outras instituições, ele não é mantido por ONGs, como existem alguns questionamentos. O hospital, como também foi citado, ele não é mantido e gerenciado pelo catolicismo. O hospital é gerenciado por esta associação formada, por esta diretoria, que é eleita a cada dois anos em um terreno cedido pela Igreja Católica”, comentou.

Além disso, Andrea esclareceu que o hospital possui um convênio com o Ministério da Saúde para os serviços via Sistema Único de Saúde, o SUS. “Esse convênio, sim, é feito por uma gestão municipal. Ele pode ser gestão municipal ou estadual. O município de Urussanga é uma gestão municipal, por isso que os recursos vêm via prefeitura”, salienta. “Temos ajuda sim da prefeitura municipal de Urussanga com valor de R$ 200 mil para nos ajudar com o pagamento dos sobre avisos exigidos, sobre avisos de ortopedia, anestesia, cirurgia geral, clínica médica, hospitalista, tudo isso não cobre totalmente o valor, mas nos auxilia significativamente”, destaca a administradora.

O assunto e os principais pontos dos áudios que estão circulando nas redes sociais foram comentados em entrevista pela administradora Andrea e pelo vice-presidente do hospital, Dirlei Souza. Ouça na íntegra:

Parte 01

 

Parte 02

 

Nos áudios, a mulher faz diversas alegações sobre o Rede Cegonha. Conforme Andrea, o Hospital de Urussanga nunca recebeu recursos do programa. “A Rede Cegonha, como muitas pessoas têm esse questionamento, ela é exclusiva para pacientes SUS. Foi questionado no áudio que no hospital funciona a Rede Cegonha para os pacientes particulares. Não existe isso, Rede Cegonha é a rede pública que dá esse atendimento”, afirma Andrea. “Em fevereiro de 2015, a direção do hospital, juntamente com a administração da época, resolveu suspender o atendimento SUS pelos altos prejuízos que tinha. Não tínhamos condições de manter isso, que na época ainda era sobre aviso, não eram nem as exigências que nós temos hoje de plantão 24 horas, plantão do obstetra, do anestesista, do pediatra e, além de tudo, temos que ter 24 horas também a enfermeira obstétrica. Além dos técnicos, além de todo o resto da equipe. Só esses quatro profissionais, se eu botar 24 horas, nós teremos um custo mensal de mais de R$ 500 mil. O hospital não tem como suportar isso”, acrescenta.

A administradora da instituição ainda destaca que todas as informações sobre os serviços do hospital estão disponíveis no site da transparência. “Eu faço questão que qualquer dúvida as pessoas procurem o hospital, qualquer candidato, qualquer pessoa física, qualquer empresa, porque nós fazemos prestação de contas mensal a todo o valor recebido. Nós fazemos prestação de contas ao município, com envio de notas fiscais, ao estado, ao Governo Federal”, comenta. Segundo Andrea, as alegações realizadas pela mulher nos áudios ofenderam toda a diretoria e equipe de funcionários do hospital. “Nós temos um escritório de contabilidade, nós temos um escritório jurídico e as medidas cabíveis estarão sendo tomadas”, afirma.

Em entrevista, os representantes do hospital fizeram um convite para a população participar da Assembleia Ordinária Anual para Prestação de Contas e Assuntos Gerais. O encontro será realizado no dia 8 de julho, com segunda chamada às 19 horas. “Essa assembleia não é normal termos convidados externos, mas a diretoria faz questão de apresentar todos os dados para que não haja nenhuma dúvida e nenhum questionamento da atuação da diretora, da administração e todo o corpo de funcionários”, salienta Andrea.