O mercado de trabalho, assim como toda a sociedade, deve ter mais atenção com as pessoas com deficiência (PCD). A inclusão é a melhor forma de combater o preconceito ainda existente contra as deficiências. O jovem Leandro Luiz Mazzuchello, morador de Içara, tem um papel importante na inclusão de PCDs. Além do seu trabalho junto aos órgãos para ter mais acessibilidade nos espaços, sejam eles públicos ou privados, Leandro usa as redes sociais para falar mais sobre o tema e de sua vida.

Em entrevista ao Ponto de Encontro, Leandro contou que possui dificuldades motoras desde o seu nascimento. “Eu tenho uma paralisia cerebral desde nascença, quando a minha mãe foi me ganhar faltou oxigênio na hora do parto no cérebro, e atingiu a parte motora, e desde então eu fiquei com uma deficiência”, comentou Leandro. “O dia a dia de uma pessoa com deficiência é o dia a dia de uma pessoa não PCD, só que com barreiras, muitas barreiras sociais, que têm que ser quebradas”, destacou.

Leandro ressaltou que a maior dificuldade é a falta de acessibilidade em todos os lugares. “Acessibilidade não é só para PCD. A acessibilidade serve para um cara idoso, uma mãe que tem carrinho de bebê, serve para o entregador que vem de carrinho entregar umas compras. Eles vão precisar de acessibilidade, então não só para a gente, é para todo mundo. Hoje em dia a pessoa pode estar andando, ou amanhã ela pode sofrer um derrame e pode ficar com a mobilidade reduzida. Tudo isso tem que ser pensado”. Ouça a entrevista completa realizada com Leandro para o Ponto de Encontro:

Parte 01

 

Parte 02

 

Mazzuchello afirmou que tudo que uma pessoa com deficiência quer é autonomia. Graduado em Ciências da Computação e pós-graduado em engenharia de Qualidade de Software, Leandro passou por muitas dificuldades dentro do mercado de trabalho. “De 2013 a 2019 foi o pior momento da minha vida. Tudo o que eu queria era um emprego. Eu saí da faculdade e pensei ‘pô, agora vai ser fácil de arranjar um emprego, já estou com canudo na mão, tudo certo’. Mas não”. Para ele, a dificuldade em arranjar um emprego foi por conta do preconceito por ser um PCD.

Fora do mercado de trabalho, o preconceito já era notado também na escola e em outros ambientes. Leandro lembrou que acabava sendo excluído de grupos de trabalho na época do colégio. “Todo mundo tinha um grupo e sobrava só eu, e tipo, me doía muito. Por que eu era excluído? Sabe?”, falou. “O tempo foi passando e fiquei mais casca grossa com isso. Só que em 2017 eu fiz um curso de marketing e a mesma situação ocorreu, e eu fiquei ‘pô, de novo’. Foi um baque para mim”, acrescentou.

Confira a entrevista realizada por vídeo também:

Mazzuchello também lembrou que a inclusão não é só em ambientes como o mercado de trabalho, mas na sociedade em geral. “A vida de um PCD é tão caótica. Ninguém lembra dele. Tudo o que eu quero é um convite, é ser inserido. Vamos para uma festa? Vamos. Se tu tem um amigo PCD convida ele para uma festa, muita gente não me convidava e dizia assim ‘mas não ia mesmo’, mas eu não recebi convite”, comentou.

Leandro apontou que a discussão do tema é a melhor forma para conscientizar mais pessoas e, assim, diminuir o preconceito ainda existente com os PCDs. Uma sociedade melhor é construída através da inclusão.