A vida de Andreza Amorim ganhou um novo significado depois de um dos períodos mais desafiadores de sua trajetória. Hoje aos 43 anos de idade, a educadora e psicóloga possui marcas de uma batalha contra o câncer de mama. Apesar disso, também carrega consigo a certeza de que é possível encontrar novos caminhos mesmo quando o futuro parece incerto. Em entrevista, Andreza relatou que foi diagnosticada com câncer no fim de 2022. “Eu já acompanhava alguns cistos, mas tudo certo, tudo dentro da normalidade. Uma noite eu fui dormir e senti que algo me espetou, algo que me incomodou. Eu levei a mão e senti um nódulo”, relembrou. “A gente sempre vê o câncer como uma coisa muito distante. Até que ele chega na nossa porta”, falou. No consultório médico, o próprio especialista já informou desde o início de que se tratava de um nódulo muito suspeito. “Hoje a medicina não omite nada, não esconde. Eles falam a verdade nua e crua. Ali ele me deu já uma suspeita. No dia seguinte eu já fui fazendo os outros exames. Vieram todos da pior forma possível”, afirmou.

O tratamento exigiu mais do que força física. Andreza realizou a sua primeira quimioterapia no dia 7 de dezembro de 2022. “Eu queria que pelo menos o meu cabelo ficasse até o Natal e ele já estava muito ralo”, comentou. Para Andreza, perder os cabelos, principalmente para uma mulher, é muito difícil porque faz parte da própria identidade desde sempre. A educadora ainda relatou que enfrentou uma neuropatia, que provocava dores intensas nas mãos e nos pés, além de momentos em que tarefas simples, como tomar banho ou sentar-se à mesa para fazer uma refeição, tornaram-se difíceis. “Meu banho durava um minuto, cronometrado. Quando eu saía do banho, a minha irmã já me esperava com gelo para aliviar a dor”, contou.

Para enfrentar esse período, Andreza precisou do apoio de pessoas importantes, como a de sua filha, hoje com 26 anos, e sua irmã, 15 anos mais velha. A irmã mais velha esteve ao seu lado durante as sessões de quimioterapia e a cirurgia, enquanto a fé e o apoio de outras mulheres ajudaram a atravessar os dias mais delicados. Andreza enfrentou um câncer de mama do subtipo triplo-negativo, que tende a avançar mais rápido, mas responde mais fácil às quimioterapias. Todo o tratamento foi finalizado em maio de 2024. Atualmente, Andreza segue em acompanhamento médico e reconhece nas pequenas coisas do cotidiano motivos renovados para agradecer. “A fase mais difícil me preparou para viver meu sonho”, relatou.

Andreza é pedagoga há 25 anos. Antes do câncer, ela trabalhava como coordenadora em uma instituição de ensino, mas não se sentia contente em seu trabalho. “Eu já tinha no meu coração que eu não queria voltar lá. Eu tinha esse sonho no meu coração de colocar uma escola e aí eu fui amadurecendo a ideia, fui estudando, fui planejando, sondando todas as situações”, falou. Andreza relatou que sempre foi uma pessoa cristã e, com a doença, intensificou ainda mais suas orações. “Chega um momento que o médico faz a parte dele, a família faz a dela e tem horas que é você e Deus. E eu disse: Deus, agora me ajuda, me mostra o que eu devo fazer”, recordou. Assim, ainda em 2024, Andreza fundou o Colégio Vem Ser, em Içara. Andreza contou mais sobre a sua história de vida e sua luta contra o câncer em entrevista. Confira:

Parte 01

 

Parte 02

 

Durante o tratamento, Andreza percebeu que, além dos desafios físicos e emocionais da doença, havia algo que também a marcava: o olhar das pessoas ao seu redor. Ao sair de casa usando uma touca para cobrir a cabeça sem cabelos, ela sentia os olhares de compaixão e pena, que a faziam se sentir ainda mais vulnerável. “Algumas pessoas até me abordavam e falavam assim ‘ah, já passei por isso, deu tudo certo, vai dar tudo certo para ti também’. Hoje eu faço isso com algumas mulheres que eu encontro em algum lugar”, comentou. “Uma frase que a gente ouve muito é ‘vai passar’. A gente sabe que vai passar, mas o vai passar não anula a tristeza do momento. O momento que eu estou sofrendo é agora, é hoje. E vai passar, mas não vai passar de hoje para amanhã. Leva um tempo para passar. Então a gente tem que ter muito cuidado com o que a gente fala, como que a gente aborda isso com a pessoa, porque ela está ali extremamente vulnerável”, observou a professora e psicóloga.

Hoje, passados todos os momentos de desafios, Andreza busca levar sua história para outras pessoas que estão passando o mesmo. Em entrevista, ela relatou que faz palestras e rodas de conversa sobre o assunto. “Faço com muito orgulho, muito prazer. Tem pessoas que não gostam de falar porque quando a gente fala, a gente revive a dor. Então tem vários momentos aqui, eu não consigo falar sem me emocionar. Mas eu não estou aqui por mim, eu estou aqui por quem está do outro lado me ouvindo. Eu acho que isso é a minha missão, talvez. É bom compartilhar a própria história para ajudar os outros”, disse. “Quero que quem estiver do outro lado me ouvindo, que esteja nessa situação: não desanime, não desista. A vida vale a pena, vale muito a pena, e vai dar tudo certo”, reforçou.

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Confira a entrevista também em vídeo: