Em uma vida dedicada à cultura, Fábio Dallo mantém viva, dia após dia, a riqueza das tradições italianas. O entusiasta nasceu e cresceu em Cocal do Sul, na rua Ambrósio Dalló, antes mesmo do município ser emancipado, quando ainda pertencia a Urussanga. Considerado um “sul-cocalense com orgulho”, ele contou que sua trajetória cultural começou aos 14 anos, ao lado do maestro Jaime De Brida. Desde então, Fábio acredita que o amor pela cultura é essencial para manter vivas as tradições italianas. Mas seu sonho vai além: ele deseja ver todas as etnias valorizadas e representadas no movimento cultural da região. “Tenho o sonho ainda de um dia ter esse movimento a todas as etnias. Nossa região foi formada por 16 etnias diferentes, nações diferentes”, comentou.
Fábio contou que um padre do Rio Grande do Sul realizou uma pesquisa para saber da origem do sobrenome Dallo e encontrou diferentes histórias. “Ele chegou a encontrar Dallo que veio antes de 1500 da França”, disse. Fábio salientou que existem variações do sobrenome, contendo dois L’s, ou até uma versão que remeteria a uma localidade chamada Dall’o, entre outras diferenciações e misturas. A conclusão é que a família Dallo é da região de Belluno e hoje, coincidentemente ou não, Fábio preside a Associação Bellunesi de Criciúma.
Fábio também faz parte da Associação Nacional dos Alpinos e falou da importância de relembrar o passado da imigração italiana para a entidade. “A gente recorda os imigrantes, qual é a forma que você tem pra valorizar todo o trabalho que eles tiveram, que eles fizeram (…) Eu acho que contar as histórias, escrever sobre eles e recordar seria quase que uma oração”, acrescentou. Acompanhe a entrevista completa:
Parte 01
Parte 02
O pai de Fábio faleceu em 1997, ele tem sua mãe “firme e forte”, além de ter dois irmãos, o empresário Leandro e o caçula, o músico Felipe. Apesar da beleza, do movimento social, das festas e da alegria que a cultura pode presentear, além da satisfação sentida pelo artista, Dallo contou quais são os desafios financeiros de trabalhar com o segmento. “A gente gasta na verdade, ninguém ganha. A gente gasta do bolso, não é pouco”, destacou. Ele admitiu também que as dificuldades dos bastidores desse trabalho têm seu ponto negativo e que exige muita dedicação. “Eles acham que é só isso, aquilo ali que parece uma festa, mas tem muito sacrifício em volta, tem os ensaios, tem a preparação, tem o antes, o durante, o após. Você perde os seus domingos com a família, festas, finais de semana, para estar nesse engajamento”, contou.
Tragédia de Vajont
Como integrante da Associação Nacional dos Alpinos, Fábio relembrou sobre a tragédia de Vajont, em Longarone, na Itália. A tragédia completou 63 anos no último dia 9 de outubro. Em 1963, uma parte do Monte Toc caiu de uma só vez dentro da represa. Isso gerou uma grande onda que foi em direção à cidade. “Longarone é um vale e do outro lado tem outra montanha, então fica entre montanhas, a água veio, a primeira coisa que destruiu as cidades e matou as pessoas, inclusive alguns corpos achados estavam sem roupa, foi o deslocamento do vento”, contou. Dallo também comentou sobre o segundo momento em que a destruição foi aumentada. “Depois veio a água, lavou tudo, bateu na montanha do outro lado, voltou de novo, lavou pela segunda vez e foram achar corpos até no mar”, lamentou.




































