A realização de exames preventivos é fundamental para o diagnóstico precoce de doenças. É com essa premissa que órgãos de saúde promovem a campanha Março Azul, que alerta sobre a importância para o diagnóstico do câncer de intestino. Quando identificado na fase inicial, 90% dos casos têm chance de cura. A afirmação é da doutora Maria Cristina Sartor, ex-presidente e membro titular da Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Para a especialista, um empecilho para a realização das campanhas de colonoscopia, importante exame que identifica a doença, é convencer as pessoas de que o câncer é uma doença que pode se desenvolver em todo mundo. “Ele é o terceiro câncer em incidência e segundo em causa de morte, tanto no homem quanto na mulher, se nós tirarmos os tumores mais graves da pele, mas dos órgãos internos ele é o segundo em incidência”, afirma.

Seja em qualquer doença, o diagnóstico precoce acontece quando a pessoa não têm sintomas. “Essas pessoas que não têm sintomas, a partir dos 45 anos, podem ser submetidas a um exame chamado teste de sangue oculto. Temos várias qualidades desses exames, mas principalmente o teste imunológico de sangue oculto que vai determinar se existe sangramento da pessoa misturado às fezes, mesmo em quantidades invisíveis”, conta. Se o exame der positivo não significa que há um câncer, mas sim que existe sangue nas fezes. “Ele pode dar positivo por hemorroidas, ele pode dar positivo até por uma quantidade muito grande de vermes, mas primeiro nós temos que ter certeza que ele não esteja dando positivo por algum câncer ou alguma lesão que vai virar precocemente um câncer”, salienta.

A partir disso, a pessoa deve ser submetida a uma colonoscopia. “É um exame de imagem, onde nós usamos uma câmera que entra através do ânus, subindo pelo colo, até o final do intestino delgado e, a partir disso, nós conseguimos examinar com bastante qualidade todo o intestino, procurando lesões muito pequenas e, se achadas, elas já podem ser retiradas”, explica. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com a doutora Maria Cristina no programa Ponto de Encontro. Ouça na íntegra e saiba mais:

 

Pessoas com histórico familiar podem procurar acompanhamento médico antes dos 45 anos. “Por isso é importante conversar com o seu médico. Existem vários tipos de histórico familiar. Eu posso ter meu avô que teve câncer de intestino aos 70 anos, isso não quer dizer que esse paciente já tenha uma tendência familiar a ter câncer, mas tem algumas pessoas que têm um número muito grande de familiares com câncer no intestino. Essas devem procurar o seu médico para serem orientadas ou para fazer colonoscopia mais cedo, e aí vai depender da idade que os familiares tiveram câncer, ou até para ser submetidos a exames genéticos para ver a diferença e a predisposição de alguns tipos hereditários de câncer”, comenta.

A especialista destaca ainda que a alimentação faz parte da prevenção primária de qualquer doença, assim como hábitos de vida mais saudáveis. “O câncer nem sempre é hereditário, mas ele sempre é genético. Então, a maioria das pessoas nasce com uma modificação em alguns genes específicos que se nós tivermos o hábito do tabagismo, de sedentarismo, obesidade, isso pode ser a chave na ignição do motor que só vai andar se nós ligarmos. Algumas pessoas têm alguns tumores que têm caráter hereditário, ou seja, o motor está pronto para funcionar independente de ter a chave na ignição, a ligação já é direta, felizmente, esse é um número pequeno perto do grande número dos tumores não hereditários que nós temos”, pontua.