Há histórias que se confundem com a própria história de uma cidade. Em Urussanga, a trajetória de Renato Mariot Damian chama a atenção na região. Entre as lembranças da infância, os ensinamentos dos pais e o aroma do vinho que atravessa gerações, ele construiu uma vida marcada pelo trabalho, pela tradição familiar e pelo compromisso com a terra onde nasceu. Mais do que acompanhar a evolução da vitivinicultura, Renato participou dela, ajudando a manter viva uma atividade que faz parte da identidade do município e também da sua própria família. Renato é filho de Hedi Damian, um importante nome para a cultura e o desenvolvimento urussanguense. Renato participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro, onde contou mais sobre a sua história de vida e sua paixão pela vitinicultura. Ouça na íntegra:

 

Em entrevista, Renato relatou que cresceu e viveu na casa número 254 na rua Barão do Rio Branco, que era do seu pai e, hoje, é de seu filho, Matheus. Durante a juventude, Renato estudou na Escola Barão do Rio Branco, tendo concluído o “ginásio”, como era conhecido na época, no Colégio Rainha do Mundo. “Depois, em 1970, eu fui para Florianópolis fazer o científico. Aí fiz o científico em Florianópolis e eu não queria sair de Urussanga”, falou. Renato relembrou que toda a sua juventude e história estava ligada à cidade natal e, por isso, estava acomodado a não sair para estudar fora. “Mas o meu pai forçou muito para ir”, recordou. Foi na juventude, na época de transição entre o ginásio e o científico, que Hedi deu duas opções ao seu filho: estudar em Porto Alegre ou em Florianópolis. “Escolhi ir para Florianópolis porque havia bastante gente daqui lá, porém mais velhos”, contou. “Agradeço ao meu pai por ter essa iniciativa”, acrescentou.

Renato passava as suas férias do científico em Urussanga, trabalhando na loja de materiais de construções do seu avô. Depois do científico, o urussanguense passou a estudar Engenharia na Pontifícia Universidade Católica (PUC), em Porto Alegre. Com a formatura, em 1980, Renato retornou para Urussanga e passou a se dedicar à loja de materiais de construção. Enquanto isso, o seu pai começava a se dedicar mais à vinícola e ao vinhedo. Foi nesse período que uma oportunidade profissional inesperada colocou à prova os rumos que havia escolhido. Um representante da Liquigás, empresa de origem italiana, procurou Renato para convidá-lo a se especializar na Itália e, depois, assumir o terminal da companhia em Itajaí. A proposta era tentadora, mas chegou quando Renato já havia assumido compromissos com a vinícola e construía seus planos de vida ao lado da esposa, Thaís. “O nosso projeto era fazer a vida aqui em Urussanga”, afirmou.

A vinícola da família surgiu em 1974 através de Hedi e seu irmão, Flávio Mariot, tio de Renato. Na época, a Vitivinícola Urussanga, conhecida como Casa Del Nono, começou a dar seus primeiros passos. Após 1980, poucos dias antes de receber a proposta de trabalhar em uma empresa italiana, Renato havia adquirido a parte de seu tio para ingressar nas atividades da vinícola. A escolha não significava apenas continuar uma atividade comercial, mas assumir uma responsabilidade que carregava o peso das gerações anteriores e a possibilidade de construir algo próprio. Naquele momento, o vinho deixava de ser somente a paixão do pai para se tornar também uma parte central de seu futuro. Ao longo dos anos, Renato aprendeu que produzir vinho exige muito mais do que colher uvas e colocá-las para fermentar. “O vinho é um ser vivo. Ele nasce, cresce e morre”, destacou. “Do meio que ele veio a gente pode dizer se foi bem conduzido, bem elaborado, bem conservado, bem armazenado e tal. É chance grande que vai ser um vinho longevo”, comentou.

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Atualmente, a gestão da Vinícola Damian, como hoje é conhecida, está na terceira geração da família. “Matheus é a terceira geração dos vinhos. Fiquei muito contente com a escolha dele em vir trabalhar com o vinho, mas aconselhei diversas vezes para ele pegar outros caminhos que não fosse o vinho. Mas felizmente é o que ele gosta de fazer, a gente sente pela vibração dele quando fala sobre vinho. É um grande especialista, que posso dizer hoje, sobre vinho, porque ele estudou bastante para isso. Me sinto realizado em ver a continuidade. O trabalho com vinho não é uma coisa fácil, quem olha de fora acha que é um glamour, mas é difícil porque hoje você disputa com o mundo todo e você tem que fazer qualidade, qualidade, qualidade, porque se não você está fora do mercado”, observou.

Confira a entrevista também em vídeo: