Com uma história que se confunde com a de muitas gerações de alunos de Urussanga e região, a professora Rosalba Marcon Zuchinalli, a conhecida Rô, participou de uma entrevista especial na Rádio Marconi, onde relembrou sua trajetória na educação, iniciada ainda em 1980, passando por salas de aula do interior, direção escolar e convivência diária com crianças e jovens.
Rosalba iniciou os estudos na Escola Estadual do Rio Caeté, seguindo depois para o Barão do Rio Branco e o Rainha do Mundo, onde concluiu o ensino médio. A vontade de se tornar professora surgiu justamente ao final dessa fase, quando percebeu a vocação para ensinar. “Eu gostava muito de criança, mas jamais passou pela minha cabeça que um dia eu seria professora, e onde que eu fui mesmo, e adoro a minha profissão que exerço”, relembrou.
Com 65 anos de idade e 45 de magistério, Rosalba lembrou que começou a dar aulas aos 20 anos, inicialmente na escola do Rio Caeté e, logo depois, na escola do Rio Deserto, onde permaneceu por 12 anos. Segundo ela, o período foi marcado por muitos desafios. “Eram quatro turmas e eram quatro séries. Primeira, segunda, terceira e o quarto ano. E além de a responsabilidade de ensinar, de educar, de orientar as nossas crianças, nós tínhamos ainda que fazer a merenda, fazer a faxina”, contou a professora.
Rosalba lembrou ainda que muitos estudantes andavam longas distâncias para chegar à escola e que não havia transporte escolar regular na época. “Eu tinha também alunos que vinham do Montanhão a cavalo. Eles vinham estudar a cavalo. Estudavam e depois iam embora”, comentou. Ouça:
Na avaliação da professora, a educação mudou bastante com o passar do tempo. “Hoje tem a tecnologia, tem tudo. O ônibus passa próximo. Antigamente nós andávamos igual a burro de carga, né? Cheio de livros, cheio de caderno, porque como a gente tinha que fazer tudo na escola, nós tínhamos que trazer tudo da escola para fazer em casa, para depois no outro dia levar de volta. Hoje não. Hoje tem computador. Depois a tecnologia nossa de antigamente era o mimeógrafo, né? Em que a gente ficava toda cheia de álcool, mão azul, até o rosto às vezes azul”, expressou.
Ao falar do presente, Rosalba demonstrou preocupação com o rumo da educação e da sociedade, especialmente ao pensar nas novas gerações e também como avó. Mesmo assim, disse se sentir realizada ao reencontrar ex-alunos atuando em diferentes profissões, o que, para ela, é a maior recompensa da carreira. “Muito feliz, porque hoje eu vou no dentista, o dentista foi meu aluno, eu vou no médico, o médico foi meu aluno, eu vou no fisioterapeuta, o fisioterapeuta foi o meu aluno, eu trabalho na escola, as minhas companheiras foram minhas alunas, então eu me sinto muito orgulhosa”, finalizou.





































