Com mais de 30 anos dedicados à educação, Maria de Lourdes Campos Vendramini está na memória de muitas famílias urussanguenses e sul-cocalenses. Natural de Pedras Grandes, a professora aposentada atuou em escolas do Rio Caeté, Rio América e Rio Perso, hoje pertencente a Cocal do Sul. Em entrevista, Maria de Lourdes contou que começou a lecionar aos 15 anos, após um período estudando no Colégio das Irmãs Beneditinas, em Nova Veneza. Naquela época, Maria havia estudado somente até a 5ª série, por isso iniciou os trabalhos como professora de turmas do mesmo nível. Mais tarde, já aos 30 anos, Maria concluiu o segundo grau, estudando em Criciúma e também em Florianópolis. Já nos seus últimos anos antes de sua aposentadoria, Maria de Lourdes também trabalhou na Escola Demétrio Bettiol, onde lecionou para turmas de 1ª a 4ª série. “Era uma correria, né? Porque vinha de Cocal, chegava em casa, pegava o fusquinha e lá eu ia para o Rio Perso. E, assim, mas valeu, a gente formou famílias em várias comunidades, foi bom”, relembrou.
Além dos ensinamentos como professora, Maria também tinha que cuidar de outros fatores das escolas. Era o caso dos cuidados com as hortas e até com a limpeza do local. “Eu tive um desafio muito grande no Rio Perso porque ali tinham pessoas doentes e aí eu precisava trazer ao hospital”, contou. “Foi aí que eu senti a necessidade de fazer um curso de enfermagem para atender melhor a comunidade, porque era aplicar a injeção, era fazer curativo”, acrescentou. Apesar das dificuldades, Maria afirmou que sempre conseguiu lidar bem com as crianças, com os jovens e suas famílias. “Tinha aluno que era maior que eu, porque naquele tempo eu era bem mais pequeninha do que hoje, bem mais miudinha. Então eu me via naquela meninada grande, inclusive no Rio América Baixo, me assustava porque era tudo aluno grande”, comentou. “Eu agradeço a Deus porque, de não sei quantas centenas de alunos, eu não conheço nenhum que esteja no caminho errado”, disse, acrescentando que ainda convive com muitos ex-alunos, principalmente de famílias do Rio Perso.
De família católica, dona Lourdes sempre teve fé em Deus para conseguir lidar com as adversidades e também nos momentos de gratidão. Segundo a professora aposentada, sua mãe foi uma grande líder de comunidade na época em que a família vivia em Jaguaruna por conta do trabalho do pai, que era ferroviário. Foi por volta dos 10 anos que Maria iniciou seus trabalhos na igreja, ajudando o padre da comunidade a apresentar um programa religioso em uma rádio local. Nessa mesma época, Maria de Lourdes aprendeu sobre seus primeiros passos na vocação de lecionar com os seus primeiros professores. Para relembrar mais sobre a sua história de vida na educação, dona Maria de Lourdes participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro. Ouça na íntegra e saiba mais:
Parte 01
Parte 02
Além do ensino infantil, Maria de Lourdes também lecionou, durante três anos, para jovens e adultos através do conhecido supletivo. “Foi um período que foi, não uma exigência, mas uma necessidade de formação para adultos. Tinha bastante gente analfabeta, que não sabia ler, e aí o município, porque eu fui professora municipal por todo esse tempo, trouxe para Urussanga o supletivo”, contou. Durante essa época, uma história que marcou Lourdes foi de uma senhora, de 72 anos, que tinha o sonho de aprender a ler e a escrever para poder votar nas eleições. “Em uma eleição, ela votou e, depois, veio em uma missa no Rio Perso e agradeceu em público, feliz porque tinha conseguido votar e aprender a ler. Estava rezando e cantando ali na igreja com o livro”, recordou. “É uma profissão sublime, ninguém chega a nada, nenhum médico, enfim, um advogado, ninguém chega a nada se não passar lá pelo primário, lá pelos primeiros professores”, destacou ainda sobre a importância da profissão.




































