O mês de novembro também é lembrado por ser o mês da campanha de conscientização sobre a prematuridade. Com o nome Novembro Roxo, o Dia Nacional da Prematuridade foi celebrado no último dia 17. De acordo com a médica neonatologista Renata Lorenzetti, o tema tem sido cada vez mais abordado devido ao aumento da prematuridade nos últimos anos. “Tem um impacto muito grande em relação à mortalidade e também à morbidade, aquilo que a gente chama de sequelas, e as principais sequelas relacionadas à prematuridade, além de todas as complicações, muitas vezes são as internações prolongadas para essa criança, sua família. A gente também tem as complicações a longo prazo, que estão, às vezes, principalmente relacionadas à parte do neurodesenvolvimento dessas crianças, algumas questões respiratórias, cardiovasculares também”, disse.
Conforme a especialista, a neonatologia tem evoluído cada vez mais, gerando maior sobrevida de crianças prematuras. “Crianças hoje de 23, 24, 25 semanas sobrevivem, mas, infelizmente, às vezes a gente não viu isso muito acompanhado de qualidade de vida. Então, ao longo dos anos, a gente foi aprendendo muito a cuidar desses prematuros”, destacou, acrescentando que investimento em equipes assistenciais e incorporação de novas tecnologias são importantes para a sobrevida dessas crianças. A doutora Renata salientou que é essencial o acompanhamento do bebê durante o pré-natal. É através de exames, como o ultrassom, que é possível identificar uma gravidez de alto risco. Após essa identificação, o acompanhamento médico é ainda mais intensificado.
Alguns problemas de saúde prévios na mãe podem influenciar na prematuridade do bebê. Porém, há algumas doenças que podem surgir durante a gravidez. “Principalmente a hipertensão arterial, a doença hipertensiva específica da gestação, que tem um risco grande de pré-eclampsia. A gente tem o próprio trabalho de parto prematuro, muitas vezes desencadeado porque essa mulher tem um colo uterino mais curto, que pode ser previsto durante esses ultrassons de acompanhamento”, comentou. “Às vezes uma infecção de urina não tratada, às vezes uma infecção ali no útero também, acabam sendo as principais causas de prematuridade”, acrescentou. “Por isso que é importante a identificação do pré-natal de alto risco, a gente buscar esses sinais durante o pré-natal e ter um olhar diferente para isso”, afirmou. O assunto foi abordado em entrevista com a doutora Renata no programa Ponto de Encontro. Ouça:
Após o nascimento de um bebê prematuro, os cuidados devem ser mantidos também em casa. “Para a gente ter uma ideia, por exemplo, o ambiente de UTI neonatal é muito importante que ele tenha uma luminosidade um pouco mais baixa, que seja um ambiente calmo, porque o ruído atrapalha o desenvolvimento cerebral. A gente tem que pensar que essa criança ia se desenvolver dentro do útero da mãe, que é um ambiente escuro, com uma proteção de líquido, e que tem uma camada que protege essa criança. Quando ele nasce prematuro, ele é exposto a um ambiente que não tem toda essa proteção que a gente chama, então a gente meio que tem que simular esse ambiente”, explicou. “Quando vai para casa, a mesma coisa. Não é criar a criança em uma bolha, ela precisa ser muito estimulada, mas tem algumas medidas ambientais que a gente realmente precisa tomar um pouquinho de cuidado com eles”, pontuou.






































