Há mais de 20 anos, Mayara Custódio aguarda fazer uma cirurgia ortognática pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Hoje com 28 anos de idade, o pai de Mayara iniciou o processo 21 anos atrás e, desde então, a moradora de Urussanga está na fila para realizar o procedimento. Como nunca foi chamada, Mayara decidiu tentar realizar a cirurgia no sistema particular, no qual os custos ultrapassam os R$ 50 mil. Atualmente, Mayara está promovendo uma ação entre amigos para arrecadar o valor para o tratamento, que é de R$ 10 mil. Além disso, há uma vakinha solidária disponível de forma online (CLIQUE AQUI). “Da nossa parte, a gente vai ajudar do ponto de vista financeiro da maneira que a gente puder. No entanto, ainda existem custos com hospital, com médico anestesista, com materiais. Então, existem outros custos que fogem da minha boa vontade”, pontuou o doutor Fernando Antonini, cirurgião bucomaxilofacial que acompanha o caso.

O doutor explicou que Mayara cresceu com uma deformidade dentofacial, ou seja, os ossos maxilares dela não se desenvolveram como deveriam. “Tanto o maxilar superior quanto o maxilar inferior apresentam uma deformidade. Esse trabalho é um tratamento que envolve aparelho dentário, porque essa deformidade atrapalha o posicionamento dos dentes. Então, ela tem que ser tratada com aparelho dentário, mas não só isso, ela também tem que ser tratada com uma cirurgia na face”, contou. O especialista pontuou que Mayara faz uso de aparelho dentário há 14 anos. No entanto, na época em que colocou ele, o diagnóstico não foi realizado da forma correta. “Faz 14 anos que o problema dela não é resolvido porque o aparelho dentário não vai resolver a deformidade esquelética, a deformidade óssea que ela apresenta. Então, isso acaba, inclusive, atrapalhando o desenvolvimento dos dentes. Então aparelho por muito tempo assim é até prejudicial para os dentes. Complicado e uma situação grave”, afirmou.

Além da parte estética, a cirurgia ortognática contribui principalmente para a funcionalidade. Segundo Antonini, o procedimento ajudará na função mastigatória e respiratória de Mayara. “Teoricamente o SUS tem que fornecer esse tipo de tratamento. É uma cirurgia funcional, uma cirurgia que o SUS fornece, o convênio de saúde, plano de saúde fornece. É uma cirurgia que vai ser feita para melhorar a qualidade de vida dela”, pontuou. Para a doutora Karine Anschau, que também é especialista da área, muitas vezes o diagnóstico é tardio. “Muitas vezes, quando a criança com 10 anos de idade tem uma discrepância, isso nem é diagnosticado. Então, os pais percebem que existe alguma alteração, levam no ortodontista e o ortodontista vai para aquela ortodontia convencional, que é só corrigir a posição dos dentes. E aí, lá no futuro, o paciente percebe que não, na verdade, a discrepância é maior, que ele precisaria de uma cirurgia”, comentou. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com Mayara e os doutores Fernando e Karine. Ouça na íntegra:

 

Em entrevista, Mayara explicou que parou os estudos por conta da condição, já que sofria bullying na escola. “Eu cheguei no primeiro ano do Ensino Médio. Daí chegou naquela fase de trabalhar e estudar. Daí, devido ao bullying que eu sofria, as piadinhas, as coisinhas, no fim eu optei por trabalhar e parei de estudar. Deixei o sonho de lado, que o meu sonho era ser médica ou policial civil”, contou. Mayara é natural de Braço do Norte, mas mora em Urussanga há sete anos. Atualmente, ela atua no setor de segurança na Caixa Econômica Federal do município.

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