As recentes mudanças na cidadania italiana têm gerado repercussões contrárias entre representantes políticos e descendentes de italianos no Brasil. A ex-deputada do parlamento italiano e ativista dos direitos dos descendentes italianos, advogada Renata Bueno, falou sobre o assunto em entrevista. “Hoje completa uma semana desse decreto, um decreto do governo aonde eles podem aprovar e colocar em vigor imediatamente essa iniciativa, mas que o Parlamento agora precisa aprovar, em 60 dias, essas novas regras, esse decreto, ou alterar, ou colocar as modificações cabíveis. Então a gente sabe que esse decreto já chegou nas comissões do Senado para ser discutida pelos senadores e depois passará pela Câmara. Nós temos a intenção, justamente, de fazer com que ele seja um pouco mais flexível nessas propostas colocadas aí já pelo governo na semana passada”, contou.

De acordo com Renata, diversos representantes se reunirão, na próxima semana, para se manifestar. “É o momento de a gente unir forças nessa busca de defender os nossos direitos. O governo vem com uma ação muito rápida, muito direta, muito drástica e foi esse o grande susto, enfim, uma situação desagradável para nós que não esperávamos isso de uma forma assim tão brusca”, disse. “Parece quase uma intenção de querer penalizar os italianos no exterior e é isso que a gente quer reverter, é um pouco desse valor, é que sejam mais flexíveis e coloquem condições que sejam cabíveis para aqueles que realmente têm a paixão, o amor e a sensibilidade pela pátria Itália”, acrescentou.

A principal mudança anunciada pelo governo italiano é para a cidadania italiana por direito de sangue. Com a alteração, somente filhos e netos de pessoas nascidas na Itália podem solicitar a cidadania. O decreto já está valendo, mas precisa da aprovação do Parlamento para continuar em vigor. Para Renata, o decreto será aprovado, já que se trata do próprio governo. “A gente espera realmente que tenha algumas alterações, essa é a minha esperança, espero e acredito que de muitos justamente porque a gente merece um pouco mais de atenção e um pouco mais de flexibilidade”, comentou. O assunto foi abordado em entrevista no programa Comando Marconi. Entenda:

 

Para a ex-parlamentar italiana, essa mudança não pode ocorrer em um simples decreto governativo. “Eu acho que ocorrerá uma flexibilização agora na votação no Parlamento justamente para tentar fazer essa ajuste constitucional, porque senão vai ser cabível sim uma ação de inconstitucionalidade e recursos jurídicos nascerão”,  frisou. “Essa é a nossa leitura, eles não podem fazer uma mudança assim sem ter as regras legais sendo respeitadas”, acrescentou. Renata ainda destacou a importância de prefeitos do Brasil, como os do Sul catarinense, que possuem pactos de amizade com cidades da Itália, também se mobilizarem. “Isso aí conta muito no momento que a gente precisa dessa ajuda”, salientou.

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