A história da imigração italiana no Sul catarinense e a formação do município de Treze de Maio são contadas através das memórias de Germano Bez Fontana. Na biografia “História de minha vida: memórias, imigração e outros fatos”, Germano conta diversos acontecimentos que marcaram a região no passado. “Esse é um livro peculiar, vou usar essa mesma expressão, é um livro interessante porque foi meu avô que escreveu a partir dos anos 90, então é uma biografia, só que, na verdade, ela acaba mesclando com a história do lugar, a história da imigração italiana no Sul e a história de Treze de Maio”, conta Karen Christine Fontana Rechia, neta de Germano e professora de História. O avô de Germano foi o primeiro da família a chegar na antiga Colônia Azambuja.

O livro foi lançado há alguns anos pela família, mas, segundo Karen, foram apenas alguns exemplares de forma física. Para manter vivo todos os registros, o livro será novamente lançado, desta vez em formato digital, para que mais pessoas possam ter acesso. O lançamento vai acontecer no dia 22 de dezembro, às 18 horas, no Centro de Convivência Municipal Pedrinho Silvestro Marcon, em Treze de Maio. Conforme a neta de Germano, o e-book será lançado com o apoio da prefeitura, através da Secretaria de Cultura. Os detalhes e as curiosidades presentes na obra foram destaque em entrevista com Karen. Ouça na íntegra:

 

A ideia do livro surgiu em uma provocação feita por Karen ao seu avô, ainda nos anos 1990. “Na ocasião, ele e minha avó estavam fazendo 50 anos de casados, bodas de ouro, e aí o meu avô sempre foi uma pessoa que vivia muitas histórias e contava muitas histórias. Então, um belo dia eu disse ‘Nonno, eu acho que o senhor devia registrar um pouco essas histórias, porque o senhor sempre relaciona essas histórias com fatos maiores’. Ele era uma pessoa muito douta, ele lia muito, e sempre muito interessado nas coisas, tinha uma vida muito plena porque tinha muitos ofícios, era marceneiro, carpinteiro, teve indústria, teve fecularia, foi vereador, então ele tinha essa memória muito rica sobre os fatos, e aí ele começou a escrever”, conta.

Karen, sua irmã e sua mãe ficaram por oito anos montando o livro, já que Germano o escreveu com a língua portuguesa e também italiana. “Esse livro é muito interessante porque ele tem os fatos da infância dele, muito bem datados, e tudo que ele fazia, ele fazia os brinquedos e tudo, ele construía brinquedos, ele lembra desde os quatro anos de idade da história dele, e ele reconstituí alguns brinquedos, inclusive, para tirar fotos para o livro”, fala a neta. “Ele também traz então essa vida do município, então os costumes, a questão do namoro, das festas, a questão dos eventos mundiais, como as guerras e o que elas implicaram ali no cotidiano da localidade”, complementa.

Uma das curiosidades presentes no livro é o fato de que seu Germano participou do primeiro júri realizado em Urussanga. Isso porque Germano viveu em Urussanga antes de se mudar para Treze de Maio, no qual ganhou terras na região da família. Na época, ele retorna para Urussanga na adolescência para estudar, onde ficava na casa de seu avô, o Sebastião. Além da marcenaria e serraria, o avô de Germano também fazia fotografias. “Ele era o único fotógrafo da região, então ele aprende com esse avô a revelar fotografias, e eles vão ao primeiro júri, porque Urussanga fazia parte da Comarca de Tubarão e depois se desmembra. Quando Urussanga se desmembra, então, em 1925 para 26, acontece o primeiro júri de Urussanga e o primeiro caso, que foi um caso, inclusive, de um vizinho que mata o outro, mas foi por um acidente. O meu avô estava presente porque foi com o avô dele, e o avô dele precisava fotografar esse júri”, comenta Karen.

Para a professora de História e neta do autor do livro, manter essas memórias vivas é de extrema importância. “Essa memória viva tem fim, um documento não tem fim escrito, mas a memória tem, ela morre com a pessoa. Então, na medida que as pessoas podem, têm a oportunidade, são inspiradas, valorizadas a registrar isso, a gente tem a possibilidade, que é o que nós estamos conversando agora, sobre isso que o meu avô fez. Você imagina quanta coisa a gente teria perdido se a gente não tivesse pedido para que ele registrasse isso”, afirma. “Ele não só registra, como também reconstitui, ele pesquisa, então ele faz um trabalho mais do que só lembrar, ele vai em busca dos registros que batem com a própria memória dele”, acrescenta Karen.