A Câmara dos Deputados tem discutido a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala de 6 dias de trabalho por 1 dia de folga, a chamada escala 6×1. Após atingir o mínimo de 171 assinaturas, a PEC começará a tramitar na Câmara e, para ser aprovada, precisa do voto de 308 dos 513 parlamentares, em dois turnos de votação. Em Santa Catarina, o deputado Gilson Marques, do Novo, não assinou a PEC e ainda divulgou os seus motivos nas redes sociais.

Em entrevista, Gilson afirmou que a PEC não propõe somente o fim da escala 6×1, e sim também o fim da escala 5×2, ou seja, segundo o parlamentar, a proposta prevê quatro dias de trabalho e três dias de folga. “Qual é o problema disso? O problema maior é a retirada de direito do trabalhador. Imagino que no Brasil inteiro, em diversas profissões, e eu incluso, gostaria muito de trabalhar mais do que quatro dias, assim como fiz na minha vida inteira, porque eu quero crescer na vida, eu quero ganhar mais, eu quero ter mais possibilidades, infelizmente, goste ou não, o dinheiro é necessário, inclusive para Educação, Saúde, entre outras coisas. Então, a partir do momento que estabelece qual é a proposta, a gente pode debater ela. A proposta é o fim do direito do trabalhador trabalhar mais do que quatro dias por semana e mais de oito horas nesses quatro dias, ainda que queira”, disse.

Para o parlamentar, a proposta também traz prejuízos para a economia. “Você imagina 80% das empresas do Brasil, elas não são grandes empresas, são pequenas empresas, pequenos negócios, é o cara que vende a garapa e ele trabalha e, às vezes, contrata um ou dois funcionários no máximo para ajudar. E aí você vai proibir esse trabalhador de trabalhar mais de quatro dias por semana, o que vai ter que fazer esse empreendedor pequeno? Ou vai quebrar, porque ele não vai conseguir contratar mais ou dois, ou vai passar o custo dessas novas contratações, se conseguir sobreviver, no preço do serviço que ele vende, no produto, na garapa, e aí os próprios, coitados, trabalhadores, que os políticos juram que estão defendendo, vão ter que pagar o repasse desse custo em todos os produtos e serviços”, comenta. Ouça mais detalhes na entrevista completa:

 

O deputado ainda falou que as pessoas são movidas por aquilo que é mais fácil e convincente. “Em todas as oportunidades que eu tive para falar sobre isso eu peço uma única coisa: por favor, leiam o que está escrito, é só um artigo, não é tão difícil, e pense nas consequências, coloque-se empaticamente na condição de um empregado que está iniciando a sua função lá atrás e que quer e tem um desejo de crescer e trabalhar mais ou também se coloque na posição de um empreendedor pequeno, porque os grandes vão conseguir se manter”, salientou. “A partir do momento que a gente consegue fazer isso, a gente consegue convencer as pessoas de que o barato sai muito caro”, acrescenta.

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