Nascido em Criciúma, Alexsander Satorno, ou o Leco, como é conhecido, se considera um urussanguense. Isso porque se mudou para a cidade ainda quando pequeno, tendo construído toda a sua história de vida na Benedetta. Com 52 anos de idade, Leco possui 23 anos de Empresa Força e Luz (Eflul), onde atua como eletrotécnico. Além do atual trabalho, Leco passou por uma outra empresa, na juventude, onde iniciou atuando como servente de pedreiro em uma construtora. Após alguns anos, Leco começou a trabalhar com a parte de rede elétrica ainda nessa empresa do ramo de construção civil. Foi a partir daí que um colega sugeriu para que Leco enviasse o seu currículo para a Eflul. “Eu disse ‘eu entendo bem de prédios, a instalação de agora de rede é totalmente diferente’. Ele disse ‘não, mas deixa lá, tu entende de energia’. Foi onde eu peguei e deixei o currículo e continuei lá na Fontana trabalhando”, relembrou.

Após enviar o currículo para a Eflul, Leco recebeu uma ligação da empresa solicitando uma entrevista de emprego. “Eu fiz a entrevista com o engenheiro Marcelo. Fiz essa entrevista e daí ele falou ‘se a gente precisar dos teus serviços, nós te comunicamos. Se não, a gente também vai comunicar dizendo que a gente não vai precisar'”, recordou, destacando que continuou trabalhando na construtora por mais duas semanas. Durante esse período até a confirmação sobre a entrevista de emprego, a construtora onde Leco trabalhava, através de seu chefe, prestou suporte para que ele pudesse saber mais detalhes sobre o possível novo emprego. “Aí eu recebi outra ligação da Eflul para ter uma entrevista com o Jander. Foi onde que fiz a entrevista e ele fez todos os procedimentos e tal”, disse, destacando que, desde então, trabalha na Eflul.

Na empresa urussanguense, Leco atuou em vários setores. “Eu já fiz de tudo um pouco”, falou. “Eu agora estou na área da ligação, fiscalizo entradas de energia, tipo de prédios, indústrias, residências e faço instalações”, contou. “Todos os funcionários ali na área de operação, na época da leitura, a gente que sai para fazer as leituras e depois na entrega das faturas também”, comentou. Com mais de 20 anos de experiência, Leco viu de perto várias transformações e evoluções no seu trabalho. “A área elétrica está sempre evoluindo. Ela não para, ela está sempre em processo, sempre em evolução”, pontuou, contando que, antigamente, os cabos de energia não eram revestidos e isolados, além de que os postes eram de madeira. “São vários outros materiais que ficam mais acessíveis para trabalhar, mais rápido”, destacou.

Para destacar mais sobre a profissão e sua relação com Urussanga, Leco participou de uma entrevista especial no programa Ponto de Encontro. Ouça na íntegra:

 

Atuando na área, Leco já passou por algumas situações de aperto. Em uma dessas situações, que considera como assustadora, Leco sofreu um acidente elétrico em um trabalho doméstico. “Eu estava fazendo um servicinho lá na casa da minha sogra, ela estava fazendo uma reforma na casa. Eu estava lá fazendo o serviço, já era noite, já anoitecendo e eu quis botar um biquinho de luz em cima do forro para poder fazer o serviço energizado e tal”, recordou. “Às vezes o cara acha que nunca vai acontecer com a gente, é o excesso de confiança. Na hora de fechar uma emenda, levei aquele tranco, é complicado. A sorte foi a minha filha que escutou embaixo e ela assim ‘vó, tá acontecendo alguma coisa com o pai?’. Aí a minha sogra chegou, começou a me chamar e eu não respondia”, relembrou, dizendo que o choque faz com que a pessoa fique travada. “Eu queria chutar o forro para eles verem que eu estava levando choque, eu queria me jogar, sair dali, não conseguia”, comentou.

Conforme Leco, um dos pintores que estava na residência naquele momento desligou o disjuntor. “Aí consegui sair de lá, mas eu vi a morte”, afirmou, acrescentando que teve o tendão do ombro rompido por conta do acidente. “A minha esposa me levou para o hospital, lá na Unimed, fizeram os exames, do coração ali, o eletro. Fizeram três eletros e aí o médico assim ‘nossa, tu nasceu de novo e o coração tá perfeito, nenhuma arritmia, nada'”, disse. Embora a situação tenha ocorrido há quase 10 anos, Leco sempre alerta as pessoas que mexem com energia, principalmente quem costuma realizar por conta própria serviços domésticos. “Eu recomendo para você, desliga a energia, vai com uma lanterna em cima do forro”, falou.