Natural de Rio Santo Antônio, em Pedras Grandes, Rozinei Sebastião desde sempre foi apaixonado pela música e, por influência de seu pai, grande parte de sua vida foi dedicada à agricultura. “A gente tem bastante história, eu acho que a gente hoje, claro, não vou dizer que a gente é rico, mas a gente já apanhou na vida, a gente já venceu”, destacou. “Eu posso dizer que hoje eu sou um cara realizado”, completou. Quando criança, Rozinei, que também é locutor, estudou na comunidade onde nasceu e em Azambuja. Parte de uma família de nove irmãos, todos foram criados na roça pelos pais. “O pai e a mãe criando nove filhos no cabo da enxada, passando necessidades”, ressaltou. Com 18 anos de idade, Rozinei se considerava ainda muito inocente. Foi também nessa idade que chegou a Urussanga.
Em entrevista, o agricultor mencionou o falecimento de seu pai e lembrou das dificuldades após sua perda. “Vem a morte do pai com 19 anos, e ainda quando o pai falece, com 56 anos, a gente fica perdido no mundo. O desespero bate, não tem mais aquele apoio, a gente se apoiava na barra do pai, da mãe”, lembrou. “Vivendo aí de aposento da mãe durante mais de seis, sete meses, um ano. Porque assim que o pai falece, a mãe começa a ganhar o aposento”, acrescentou, ainda mencionando os ensinamentos que seu pai deixou sobre honestidade. “Graças a Deus a gente vai sempre trabalhando com seriedade, sempre conforme o pai vinha dizendo: o que é da gente, é; o que não é, não é”, salientou.
Foi durante essa época que Rozinei montou o seu primeiro negócio: uma feira junto com seus familiares. “O falecido pai plantou dois hectares de pêssego na época, aquele pêssego amarelo, antigo. E a gente sem noção de comércio, sem saber o que fazer, tudo nas costas do pai, o pai fazia, a gente ia trabalhando”, disse. “Quando o pêssego começou a produzir, o pai faleceu, e uma safra daquela era para 20 toneladas de pêssego, 20, 30”, afirmou. O agricultor relembrou que começou a vender os pêssegos e se surpreendeu com as vendas. Rozinei comentou que, em uma semana, os pêssegos amadureceram por conta do sol. Ele ressaltou que havia por volta de 8 toneladas colhidas e explicou como organizou as vendas. “Vai a minha esposa e a minha cunhada, fomos fazer uma barraquinha de lona, que era da feira, fomos botar na beira da estrada, na Estação e fomos deixar elas vendendo ali”, explanou. “E eu e meu irmão pegamos uma S10 e fomos para Criciúma”, enfatizou.
Quando voltaram a Urussanga, elas haviam vendido tudo antes do meio-dia. “Elas continuam ali e nós fomos pra Morro da Fumaça. Cara, mais um sucesso, né? Aí, nós chegamos de Morro da Fumaça no final do dia, nós vendemos lá e elas tinham vendido ali. Onde que saiu a ideia: ‘pô, aqui é o ponto, aqui é o ponto para botar uma lanchonete'”, refletiu. Após esse dia, Rozinei relatou que, aos poucos, começou a vender caldo de cana e assim continuou por volta de sete anos. Depois de um tempo, sua esposa, Rita, começou a fazer alguns salgadinhos e foi dessa forma que o empreendimento foi crescendo. Atualmente, Rozinei ainda trabalha com a agricultura, mas somente com a produção de uva. Saiba mais sobre a história de Rozinei na entrevista especial realizada no programa Ponto de Encontro:
O início na música
Rozinei contou como conseguiu seu primeiro violão. “O falecido pai tinha um porco que não estava morto, mas estava para ser morto. O falecido pai disse só assim ‘faz um buraco para enterrar aquele porco’, porque dava uns 40, 50 quilos, emagreceu e estava morrendo”, relembrou. “Aí fomos lá, eu e o Rozemar, meu irmão, com a pá e esse porco começou a se mexer um pouquinho ainda. E aí nós ‘mas esse porco também está vivo?’ Fomos lá, peguei um pouquinho de água, um pouquinho de sal, leite, botamos ali e deixamos ali. Aí fomos embora ‘o pai, o porco está vivo’. Aí disse o pai, ‘se vocês salvarem é de vocês'”, recordou. Com os cuidados dos irmãos, o porco melhorou e os dois trocaram o animal por um violão.
O radialista contou que não sabia tocar o instrumento, mas enalteceu a vontade e o amor pela música. “Eu peguei esse violão apaixonado por violão. Imagina, na época o trio Parada Dura estourou com ‘As Andorinhas’, e eu escutava pelo Trombim, escutava aqui na rádio, e ia pra onde tocar esse violão? Pega um instrumento, hoje na tua mão, sem nunca ver ninguém tocar. O que tu vai fazer? É a mesma coisa de pegar um nada, né? Mas assim, aquela sede, aquele gosto do violão era demais”, destacou. Rozinei contou que o falecido Domingos Fornasa tinha uma televisão em casa, onde ia até lá assistir o programa Show da Viola. Ele contou que via as notas do violão e dessa forma foi aprendendo. Além disso, Rozinei também escutava as músicas pelo rádio. Depois de um tempo, Rozinei e Rozemar foram no programa Show da Viola.
Rozinei relembrou que o grupo precisou cantar para conseguir a aprovação, já que a nota mínima para “passar na porteira” era 3,5. Segundo ele, todos os jurados já haviam dado suas notas, faltando apenas o avaliador Lício Silva. Naquele momento, o grupo precisava exatamente de um 3,5 para seguir adiante. Conforme Rozinei, Lício afirmou que conhecia o potencial deles e que sabiam cantar melhor do que haviam apresentado naquele dia. Mesmo destacando que a apresentação não mostrou tudo o que o grupo era capaz de fazer, decidiu conceder a nota necessária, incentivando a dupla a melhorar ainda mais. Ele também destacou a felicidade que sentiu ao conseguir a aprovação. Rozinei relembrou que começou a tocar músicas na programação da Rádio Marconi junto de seu irmão. Depois de um tempo ocupou o horário do sábado de manhã, onde hoje em dia, toca junto com a sua filha, Rosana Sebastião, o Festa Sertaneja.






































