Uma das linguagens de programação mais utilizadas da internet é o Hypertext Preprocessor (PHP) que, na semana passada, teve duas falhas consideradas graves. Esses erros colocam milhões de sites em alerta e podem permitir que criminosos invadam servidores sem precisar de senhas, roubem informações e comprometam o funcionamento de páginas digitais. As falhas receberam nota 9,2 de 10 no quesito gravidade e o alerta provocou a retirada preventiva de sites governamentais em países europeus, como Países Baixos, Finlândia e França, segundo a agência de notícias Reuters. A equipe responsável pelo PHP já disponibilizou correções de emergência e pediu que os administradores atualizem seus servidores imediatamente.
Especialistas da Sysdata participaram de entrevista no programa Ponto de Encontro para explicar esse assunto com mais propriedade. O especialista em cibersegurança Jean Silveira destacou que as pessoas não devem se preocupar com a segurança digital de grandes empresas ou de sites governamentais, pois tem um sistema de proteção confiável e estruturado. “Os sites governamentais, por exemplo, eles saíram do ar, mas eles saíram do ar exatamente por isso. ‘Vamos tirar do ar, vamos atualizar e depois a gente bota no ar de novo’. São medidas de proteção, então, esse medo que gerou, o pessoal tem que entender que foi gerado por questão de segurança”, explicou.
Jean ressaltou que as pessoas devem tomar cuidado com sites de empresas menores por conta de elas terem uma segurança menor. “A gente agora só tem que se preocupar com as empresas um pouco menores. Os sites das empresas que a gente costuma usar são lojinhas menores. Essas empresas não têm um time de segurança pronto para fazer as atualizações e é por isso que a gente está aqui, para informar as pessoas que elas precisam tomar um pouquinho mais de cuidado, mas para que as empresas também tomem o cuidado de se atualizar, de se proteger”, complementou. Ouça a entrevista completa:
Com a chegada da inteligência artificial, os hackers têm uma ferramenta a mais para invadirem sistemas e cometerem crimes cibernéticos, entretanto Jean enfatizou que esse recurso também pode ser usado pela cibersegurança. “Eles ganharam uma ferramenta nova, mas nós, da cibersegurança, também ganhamos, então, nós conseguimos equilibrar o jogo. Assim como os hackers usam a inteligência artificial para invadir as empresas, o pessoal da defesa também consegue usar a inteligência artificial para identificar os ataques. Então, é uma ferramenta que é útil para os dois lados”, disse.
Além dos alertas sobre os sites, os especialistas também comentaram sobre o golpe em que os criminosos se passaram pela operadora TIM (entenda aqui). Eles enalteceram a importância de fazer um back-up das fotos e arquivos importantes, Jean salientou a importância de monitorar as contas bancárias e outros aplicativos se caso a pessoa clicar no link do suposto golpe. “De vez em quando, ‘eu cliquei, eu sei que eu cliquei’, a gente liga o modo de alerta, ‘eu começo a olhar melhor as minhas faturas do cartão do banco, eu olho melhor o meu e-mail vendo se eu estou enviando e-mails para alguém, ou mensagens no WhatsApp’, começa a monitorar um pouquinho melhor isso”, orientou.
O gerente de serviços, Luiz Mazzuco, contribuiu com orientações sobre os golpes para quem clicou no link recebido pelos golpistas. “Importante trocar as senhas. Depois que clicou, que limpou, formatou ali o celular, vai lá e já troca as suas senhas de e-mail, primeiro, se possível, troca as suas senhas de acesso ao banco e fica de olho para não ter nenhum cartão clonado”, recomendou.
Nesse período de eleições, o questionamento das pessoas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas voltou a ser levantado. Durante a conversa, Jean afirmou que a urna eletrônica, ou seja, o equipamento, é seguro. “Ela realmente não se comunica com a internet. A urna em si, ela é segura. O que a gente precisa é avaliar o processo eleitoral. Então, se existe alguma vulnerabilidade, se existe alguma insegurança na urna, ela está no processo eleitoral. E não na urna em si. Não é no equipamento”, frisou.





































