O Dia Nacional do Surdo foi lembrado no último dia 26 de setembro. Durante todo o mês, a conscientização sobre o tema ganhou destaque na sociedade. Para Sabrina Búrigo, que é intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras), a data foi estipulada para informar mais as pessoas sobre as reinvindicações dos surdos, que lutam para conquistar mais espaço. “O pessoal ainda acredita, muitas vezes, que eles não são capazes de estar fazendo diversas atividades”, comentou, acrescentando que, no Brasil, os surdos ocupam vários espaços, seja no ramo profissional ou familiar. “É um dia realmente em que traz esse orgulho de ser surdo, que eles são capazes, mostrando toda a luta que eles têm, todas as conquistas, como a Libras, quando foi oficializada lá em 2002 como língua e é através dela que eles se comunicam”, salientou.
De acordo com Sabrina, a data também gera diversas reflexões sobre o tema. “Qual é a incapacidade do indivíduo que é surdo? Está apenas no ouvir. Então a gente reflete que ele tem direito, sim, a ter acesso a todos os locais da sociedade, ele tem direito a médico, ele vai ao dentista, ele vai fazer compras, ele consegue fazer tudo isso de forma autônoma. A única barreira é o quê? É a comunicação, que deveria se dar através da Libras. Mas, infelizmente, hoje a nossa sociedade não está preparada para receber esse público, faltam muitas pessoas que tenham conhecimento de Libras para estar recebendo esse público”, comentou. “Às vezes a gente pensa assim ‘ah, o surdo não me entendeu…’ O surdo não me entendeu ou será que eu não me fiz entender? Então, ter essa responsabilidade de ter profissionais que, realmente, consigam fazer essa comunicação, a intermediação com o ser surdo”, acrescentou. Saiba mais do assunto na entrevista realizada no programa Ponto de Encontro:
Sabrina também relembrou um pouco da sua própria história. Isso porque ela possui um irmão surdo e, desde a infância, já havia esse convívio. Porém, na época ainda não existia a Língua Brasileira de Sinais. “Depois, começou então a ter Libras e aí ficou tudo mais fácil. Mas, o que a gente tem que pensar? Que quando nós adquirimos uma língua, seja ela qual for, precisa de dedicação. Claro que não vai ser com duas conversas, três aulas que a gente vai aprender essa língua”, disse, completando que a dificuldade maior é quebrar as barreiras existentes ao aprender a língua. Para Sabrina, que é professora de Libras, é preciso ter o contato com a língua e, principalmente, com os surdos, para aprender ainda mais.
A professora ainda analisou que o interesse pela Libras tem aumentado nos últimos anos. “Não só o fato da inclusão, mas o fato das pessoas realmente terem o interesse da comunicação ali com o surdo”, afirmou. Segundo Sabrina, Criciúma tem, aproximadamente, 500 pessoas surdas que usam a Libras. “Mas nós temos uma quantidade imensa de pessoas que também têm uma perda auditiva, que têm a surdez e que não usam Libras. Mas, nós percebemos hoje que as pessoas estão interessadas, a gente abre cursos e as pessoas realmente querem aprender a se comunicar. Não apenas aprender uma língua por aprender, mas elas têm interesse mesmo de estar participando da comunidade e estar aprendendo de verdade como se comunicar”, pontuou.
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