A história de Flávia Aparecida Nesi, natural de Urussanga, é marcada pela superação de desafios de saúde, pela dedicação à família e pela busca de forças para seguir em frente. Em 2013, Flávia teve um câncer de mama. Quase 10 anos depois, a urussanguense descobriu outros tumores e foi diagnosticada com câncer crônico. Desde então, Flávia possui uma rotina marcada por acompanhamento médico e tratamentos, enquanto ela e sua irmã, Bárbara Nesi, também cuidam do pai, Maurício Nesi, que enfrenta problemas cardíacos e demências mistas. O pai das irmãs é muito conhecido na região pela ligação com o futebol amador. Devido às condições físicas de Flávia e por conta do trabalho da irmã, as duas decidiram colocar o pai em uma casa de saúde. “Para mim foi o pior, eu gostaria de poder ter cuidado”, disse Flávia.
Em entrevista, Flávia destacou que as despesas para manter o pai na casa de saúde são altas. “Eu tentei segurar por muito tempo essa parte financeira, porque hoje a minha irmã é 10 anos mais nova. Então, apesar de ela me ajudar em tudo, ela é enfermeira, eu me sinto a responsável da casa. E aí, no último ano, que foi esse agora, os tumores aumentaram muito mais, foi um ano bem difícil”, contou, mencionando que possui mais de 15 nódulos de câncer no crânio. “Tentei muito nessa parte financeira, vendi o que deu. Eu trabalho, estou afastada, tenho a minha renda, lógico, isso seria suficiente para mim, para minha irmã, para o meu sobrinho, junto com o dela”, comentou.
Inicialmente, as irmãs cuidaram do pai em casa, mas foi preciso do auxílio de outras três enfermeiras. “Ele não anda, eu não posso levantar. Então é tudo muito pesado, trocar fralda e tal. Daí optamos pela casa de saúde, ainda por ser mais em conta e ter o apoio que ele precisa”, afirmou. “Mas as despesas de uma casa de saúde e medicações que ele gasta, em média, de uns R$ 2 mil, fraldas, tudo isso, nos alocou em torno de R$ 9 mil mensal”, destacou. Por conta disso, pessoas próximas incentivaram as irmãs a realizarem uma vakinha online para arrecadar recursos que possam ajudar nos cuidados com o pai. “Se fosse só nós, jamais pediríamos isso”, disse. “Eu tenho, graças a Deus, um bom plano de saúde. A empresa que eu trabalho por trás me ajuda, o suporte emocional todo. Mas, para ele, ele não teve”, afirmou.
Para colaborar com as finanças, Flávia e Bárbara irão lançar no próximo mês uma marca de perfumaria e bem-estar. É a Fiori di Lisa, que terá o lançamento oficial no dia 4 de novembro. “A gente criou uma marca de essências home e corpo em homenagem à minha tia Elisa, que foi ela que cuidou dos meus avôs, do pai e dos meus tios”, explicou Flávia. “A princípio a gente vai vender no e-commerce, em um site próprio, mas a gente não sabe como vai funcionar, a gente está aprendendo também”, contou. Flávia participou de entrevista especial no programa Ponto de Encontro e falou mais sobre a sua história de vida e a campanha em prol do seu pai. Ouça na íntegra:
A vaquinha online em prol de Maurício Nesi pode ser acessada CLICANDO AQUI. As pessoas ainda podem contribuir através de doações via Pix com a chave 6383216@vakinha.com.br.
Trajetória de Flávia
Flávia e sua família viveram na comunidade de Santana até seus 18 anos de idade. Ainda durante a juventude, chegou a trabalhar no estado de São Paulo como fornecedora de revestimentos cerâmicos. Em 2013, Flávia foi diagnosticada com câncer de mama e fez a retirada do tumor. Após os tratamentos, a urussanguense foi aconselhada a se consultar com um geneticista. Foi quando descobriu que possuía um erro genético, que poderia gerar novos cânceres ao longo da vida. “Na época tirei as mamas e os ovários para evitar que o câncer voltasse. Também aconselhei a família para que eles fizessem o teste”, relembrou. Por conta de toda logística, as irmãs moram em Criciúma. “O pai está em uma casa de repouso em Içara. Minha irmã trabalha como enfermeira na prefeitura. Eu vivo naquelas redondezas da URC e dos hospitais”, citou.
No fim de 2022, durante exames de rotina, Flávia descobriu um tumor de cinco centímetros no pulmão. “Eu fiz biópsia para ver, porque os médicos não entendiam muito bem porque voltou tão tarde, 10 anos depois”, disse. Depois de meses de investigação, os médicos informaram que o câncer de Flávia já era crônico. “Ele não tem cura, é para o resto da vida”, exemplificou. “No fim de um ano, esse câncer subiu novamente e a gente mudou a químio. Nesse outro período de 2024 foi uma fase difícil para mim, para minha família, porque eu me separei e minha irmã também. Então nós fomos morar com os meus pais e cuidar deles”, falou. Em 2025, a mãe de Flávia e Bárbara faleceu. “Nisso tudo, o meu pai simplesmente despencou. Ele era uma pessoa muito ativa, todo mundo conhece o Mauro do futebol, do veterano, do bar, do baralho. Então ele simplesmente despencou”, recordou.
Mesmo com todos os desafios, Flávia é forte e não se deixa abalar pelas adversidades. “Eu sou aquela pessoa que chega na químio e faço aquele esparro, faço um barulhão. Eu dou umas risadas com o meu médico, ele é meio sério, até ele começa a rir de vez em quando”, contou. Flávia afirmou que as pessoas que possuem câncer devem focar no que elas querem fazer na vida. “Para quem está passando por isso, foca no que quer da vida ainda. Vê quem está do seu lado, não se joga, porque também é difícil para quem está em volta, também é muito sofredor”, salientou.

Confira também:
Ver esse post no Instagram


































