A dependência em drogas é considerada uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e traz prejuízos não apenas para quem faz uso, mas também para a família e para a sociedade como um todo. O assunto foi tema de entrevista no programa Ponto de Encontro, com o terapeuta e conselheiro em dependência química Gabriel Ignácio.

Durante a conversa, Gabriel explicou que ainda existe muito preconceito e desinformação em relação à dependência química, sendo comum a ideia de que o uso de drogas seria apenas uma escolha pessoal. “O indivíduo que é usuário de droga não escolhe perder família, dignidade e nem a saúde decorrente ao uso da substância. As pessoas olham para esse indivíduo e esquecem de perguntar para ele o que ele passou ou o que ele tem dentro dele, como uma dor emocional ou um trauma lá da infância, que fez ele acarretar e chegar ao uso da droga”, explicou o especialista. Ouça a entrevista e entenda mais:

 

Gabriel também falou sobre a diferença entre uso, abuso e dependência. De acordo com o terapeuta, o uso pode começar de forma esporádica, mas, com o tempo, pode evoluir para o abuso e, depois, para a dependência, quando a substância passa a fazer parte da rotina. “Existem pessoas que conseguem fazer o uso, seja uma vez no mês, uma vez a cada três meses, e tem a pessoa que faz o uso desenfreado, que começa a abusar da droga. Então começa esporadicamente e com o abuso da droga, começa a vir todo final de semana e consequentemente gera a dependência que ela traz para a sua rotina e ela não consegue mais trabalhar, fazer as atividades que ela fazia na sua rotina, por consequência da dependência. Quanto mais você usa a droga, mais você fica dependente dela”, destacou.

Outro ponto foi a negação, comum nos estágios iniciais da dependência. Conforme o terapeuta, muitas vezes a pessoa não percebe que está doente. “Ela não se vê como um viciado, como um escravo da droga ou da bebida. Então para ela está normal, só que o familiar começa a ver que a rotina dessa pessoa começou a viver em função dessa substância, então ela se isola, ela começa a fazer situações para chegar ao uso, ela começa a viver uma vida com mentiras, a sua rotina fica desorganizada. Isso afeta até a carreira profissional dele, seja no trabalho, seja em um relacionamento também”, alertou Gabriel.

Na entrevista, Gabriel reforçou que o tratamento não envolve apenas o dependente químico, mas também os familiares, que muitas vezes adoecem emocionalmente e passam a viver em função do problema.  “A gente chama ele de codependente, que é o familiar. Ele vive em função dessa pessoa, sofrendo por ela, vendo a pessoa, o indivíduo se destruindo aos poucos devido ao uso. Então, a pessoa que busca o tratamento, a família também tem que buscar, por conta que ela adoece em decorrência do indivíduo”, finalizou.