Mais uma vez, moradores de bairros de Urussanga se reuniram para discutir as obras de duplicação da SC-108. Desta vez, o encontro envolveu as comunidades de Bel Recanto e Bela Vista. A reunião ocorreu na noite dessa segunda-feira, dia 26, e contou com a participação de mais de 100 pessoas, entre moradores e autoridades da cidade. Uma das principais reivindicações é a implantação de um acesso de mão dupla que facilite a entrada e a saída dos bairros Bel Recanto e Bela Vista. A reportagem da Rádio Marconi acompanhou a reunião. Ouça mais detalhes:

 

A prefeita de Urussanga, Stela Talamini (MDB), informou que mantém contato com representantes regionais da Secretaria de Estado da Infraestrutura em busca de alternativas. Segundo ela, uma das possibilidades discutidas é a implantação de um anel de contorno que permita o acesso às comunidades do Bel Recanto e Bela Vista, com ligação também ao bairro da Estação. No entanto, a proposta ainda não possui um projeto executivo, existindo apenas um croqui. “Eu acredito que ele não vai sair junto com a duplicação, porque ele ainda tem que ser efetivado, desenhado, aprovado, mas que ele é possível de acontecer num tempo não muito grande. Então, até isso acontecer, infelizmente, o acesso vai ter que ser feito embaixo, na Estação. Mas não devemos baixar a guarda, devemos insistir para que o projeto aconteça”, falou.

O morador Itamar Marques afirmou que a falta de alternativas adequadas pode dificultar o deslocamento de veículos de emergência, além de prejudicar o acesso à escola, ao posto de saúde e a estabelecimentos comerciais. Além da falta de acesso, os moradores estão preocupados com a falta de acessibilidade ao atravessar de uma via para outra, que será separada por uma mureta de concreto. “Tem que ter um acesso fácil ou uma passarela, qualquer coisa que seja acesso para a comunidade em termos gerais”, disse.

O vereador José Carlos José (PP), o Zé Bis, relembrou que uma audiência pública foi realizada já em 2023 para tratar sobre o tema, especialmente do trevo de retorno na localidade do bairro Santa Luzia. No entanto, o projeto ainda segue com alguns impasses, principalmente porque a comunidade ainda não teve acesso à ele e não sabe o que será feito. “Um projeto desse aí, que chega a mais de R$ 300 milhões, meu amigo, tem que conversar com a comunidade antes. Tem morador que conhece até quantas pedras de areia tem na estrada, ele sabe o que precisa aqui na comunidade. Então eu acho que falharam nessa estratégia”, comentou.

Ivan Vieira (PL) informou que uma reunião estava agendada para esta semana na Secretaria de Infraestrutura, em Florianópolis. Porém, o encontro precisou ser reagendado para a próxima semana. “Não pode um responsável da região não ter acesso ao projeto, não mostrar o projeto para nós, nós estamos atrás desse projeto há tempos”, disse. O vereador ainda sugeriu que a comunidade faça uma mobilização para chamar a atenção das autoridades competentes. “Uma movimentação com faixa, pegar a autorização da Polícia Estadual e trancar a estrada. Eu acho que nós temos que mostrar força antes de nós irmos a Florianópolis para essa reunião, até para nós pressionarmos para poder ter essa reunião”, falou.

A presidente do Legislativo, vereadora Izolete Duarte Vieira (PP), contou durante a reunião que o projeto de duplicação da SC-108 entre Urussanga e Criciúma, passando por Cocal do Sul, tem mais de 2 mil folhas. O ex-prefeito Jair Nandi (PSD) também participou da reunião e propôs dar encaminhamentos ao Ministério Público se necessário. “Eu sempre gosto de resolver as coisas administrativamente, mas nós já vamos para quase uma semana e nós não temos resposta”, pontuou. A vereadora Rosimeri Mafra (PL) também acompanhou a discussão.

O arquiteto da prefeitura de Cocal do Sul, Everton Fragnani, participou da reunião e destacou que o projeto é “problemático” desde o começo. “Como comentado, é um projeto de via expressa, que praticamente ignora tudo que tem em volta do contorno que ela faz. Mais adiante, se alguém quiser fazer algum empreendimento, alguma coisa, não vai poder fazer uma ligação diretamente para a rodovia, ele vai ter que fazer uma marginal até o próximo entroncamento”, disse. “Infelizmente, a gente vai ter que partir para a política. Faz a parte técnica, desenvolve, vê o que é bom para a comunidade, o que vocês precisam aqui de fato, mas esqueçam o partido político, esqueçam a afinidade, juntem as forças políticas do município e vão para Florianópolis”, sugeriu.

Fotos: Bruno Brognoli / Rádio Marconi