A Secretaria de Saúde de Cocal do Sul esclareceu sobre os atendimentos realizados no Centro Terapêutico Crescer e Evoluir Maximiliano Gaidzinski. Isso porque a Associação Voz Atípica divulgou uma nota à imprensa denunciando a precarização no atendimento dos pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) (LEIA MAIS AQUI). Em entrevista, a secretária de Saúde Giovana Galato afirmou que, desde que foi inaugurado, em outubro do ano passado, o centro terapêutico da prefeitura já atendeu 60 pacientes, sendo que muitos deles já receberam alta porque já vinham sendo acompanhados pela clínica que antes era credenciada.

Giovana ainda disse que, desde o início do ano passado, a Secretaria de Saúde identificou possíveis irregularidades dentro da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e também na clínica credenciada. A secretária alegou que, na clínica credenciada onde os pacientes eram atendidos antes do centro terapêutico da prefeitura, uma dos colaboradores que realizava um tipo de tratamento era estudante de Psicologia. “Ela era supervisionada a distância pela antiga diretora da Apae. Enfim, isso tudo também está em inquérito. A gente está à disposição do Ministério Público também para tirar, esclarecer todas as dúvidas. O nosso espaço, o espaço que a gente inaugurou em outubro, é um espaço com planejamento técnico, todos os nossos profissionais são de níveis superiores, todos os nossos profissionais têm pós”, disse ainda.

A secretária também afirmou que, após a inauguração do centro terapêutico, alguns impasses ocorreram até a organização dos atendimentos. “No início, nos foram passados mais de 40 pacientes. Então a gente teve a confusão de agenda. Imagina 40 pacientes para tu conciliar a agenda do profissional, a agenda do paciente, do horário de aula e a agenda da mãe. Então a gente levou um tempo para, realmente, organizar os serviços e adequar toda essa agenda para o atendimento de mais de 40 pacientes”, disse. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista no programa Comando Marconi com Giovana, com a terapeuta e psicopedagoga Carla Rosso e com a coordenadora do Serviço de Saúde Mental de Cocal do Sul, Fabiana Guse. Ouça na íntegra:

Parte 01

 

Parte 02

 

Em entrevista, a psicopedagoga Carla falou sobre o processo de evolução das crianças atendidas no centro terapêutico da prefeitura. Na última sexta-feira, dia 20, a representante do grupo Voz Atípica, Michele Magalhães, alegou possíveis falhas no atendimento das crianças autistas. Em entrevista, Carla deu detalhes sobre o Plano Terapêutico Singular, chamado de PTS. Segundo Carla, a antiga clínica credenciada não repassou as informações dos pacientes para o novo centro, o que fez com que a equipe da prefeitura recomeçasse todas as avaliações dos pacientes. Após as avaliações, os profissionais iniciaram o plano terapêutico dos pacientes, que é um trabalho multidisciplinar. “A gente precisa ter um olhar em conjunto para estar trabalhando em conjunto. O plano terapêutico, para quem iniciou com a gente em novembro, todos estão prontos. Não tem nenhum que não está pronto. Agora, esses novos que estão sendo introduzidos, eles estão repassando por avaliação, esses ainda não têm PTS fechado, por quê? Porque eles estão entrando agora”, explicou Carla.

Como terapeuta, Carla afirmou que terapias demais podem, às vezes, fazer mal. “Ele tem escola, ele tem Apae, ele faz fono, ele faz TO, faz musicoterapia, ele faz psicopedagogia, ele vai fazer terapia ABA, são Ns, então ele vive só naquilo. Só que a criança precisa ter um pouquinho de, sabe, paz, relaxamento, ser criança, para quê? Para poder estar absorvendo as habilidades, as atividades que eu estou inserindo para ela, para ela poder estar executando. Agora, se a minha cabeça não para, como é que eu vou parar? Como é que eu vou executar? Porque ela vai estar sempre em movimento”, comentou. A terapeuta ainda falou sobre o processo de adaptação das crianças, que estavam acostumadas com uma equipe em uma outra clínica, e precisaram conhecer novos profissionais no novo centro terapêutico.

Ainda conforme Carla, no começo, os profissionais do centro terapêutico tiveram muita dificuldade com os pais dos pacientes. “Eles vinham meio que para cima da gente, só que a gente sempre frisava, ‘não é com a gente, a gente está aqui apenas como profissionais e vocês têm que conversar lá na secretaria, porque aqui a gente é apenas profissional, a gente não consegue resolver nada com vocês'”, disse a psicopedagoga. “Eu nunca vi nenhum profissional se negar conversar. Mas sabe o que às vezes fica difícil? Algumas mães desconfiando do teu trabalho. Tu imagina que tu está trabalhando no espaço, está atendendo o filho delas com todo o cuidado que a gente tem que ter com um autista, por exemplo, para que não descompense, para fazer o melhor trabalho possível e tu ser coagido, tu ser filmado, tu sabe que isso fica muito complicado”, comentou Fabiana. “O que a gente vê é que a comunicação acontece em redes sociais, com acusações, assim, muitas vezes infundadas porque não teve uma conversa, não teve um nada”, acrescentou.