Embora não estivesse em seus planos iniciais, a educação acabou se tornando o centro da trajetória profissional de Maristela Mazzucco Fabro. Filha mais nova de uma família de oito irmãos, Maristela passou parte da sua infância na comunidade de Rio Maior, em Urussanga, antes de se mudar para morar com a sua irmã mais velha em Orleans, aos 9 anos. Em entrevista, Maristela contou que trabalhou na roça junto com a família, porém, por ser a mais nova, os irmãos mais velhos a protegiam do trabalho pesado. “A gente ia para a roça, mas estava com o pai e a mãe, com os irmãos mais velhos”, disse. Ainda na infância, Maristela teve o contato com diversos professores, seja na própria escola como na família. “Eu não queria ser professora, aliás, ela veio acidentalmente. Eu comecei o curso de Economia, eu fiz três anos de Economia, estava para entrar ali no quarto e último ano e um professor, um dia, chegou na sala e falou que era uma profissão de homens”, recordou.

Antes mesmo desse fato, nos anos 1980, Maristela já tinha tido a oportunidade de estar em uma sala de aula. Nessa época, a urussanguense tinha de 17 para 18 anos de idade. Isso porque um professor da época havia se candidatado na política e precisava interromper o seu trabalho no Colégio Rainha do Mundo. “Ele me incumbiu de vir dar aula no lugar dele aqui no Rainha, eu assumi as quatro turmas dele crua, completamente crua, fazendo um curso de Economia e dava aula em uma turma de Ensino Médio na qual eu recente tinha saído”, relembrou. Após essa experiência e de ter sido questionada por um professor da graduação em Economia, Maristela resolveu mudar os rumos de sua trajetória profissional. “Eu fiquei em torno de 10 anos no Rainha do Mundo. Nesse meio tempo, então, eu mudei a minha trajetória e acabei me formando em Matemática e Ciências, que na época eram as duas disciplinas”, contou.

Maristela se dedicou à educação durante 30 anos. Além do Colégio Rainha do Mundo, a urussanguense também lecionou em instituições de Orleans, como as escolas Toneza Cascaes e Samuel Sandrini, em Pindotiba na Escola José Antunes Matos e em Urussanga na Escola Antonieta Quintanilha de Andrade e também no Barão do Rio Branco, onde se aposentou como professora. “Se eu pudesse voltar no tempo, eu seria uma professora com inúmeras modificações na forma de tratar o aluno, como conduzir a aula. Eu reconheço que a gente tinha uma certa rigidez porque a tendência é a gente reproduzir como a gente foi tratado”, comentou. “Eu não posso relatar que eu tenha tido algum episódio assim de indisciplina ou de que eu precisasse retirar da sala. Eu tinha um controle muito também pela postura, que a gente era ensinado a entrar com aquele rigor. Então ali tinha uma mistura de medo com respeito, que sempre vinha casado”, afirmou. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com Maristela no programa Ponto de Encontro, no qual recordou mais sobre a sua história de vida e profissão. Confira:

Parte 01

 

Parte 02

 

Além de professora e de já ter passado por outros cargos da diretoria de uma escola, Maristela também teve a oportunidade de ser secretária de Educação. A professora aposentada esteve no cargo durante sete meses em 2024, a convite do ex-prefeito Jair Nandi (PSD). “A essência da educação é igual, seja na escola particular, seja na pública, seja na rede municipal”, disse. “Porém, ali na questão de organização difere. Enquanto que no particular o dono está ali, tudo que acontece ali, poucas coisas, tu deve satisfação para alguém. Na escola pública estadual, o chefe está longe, ele está em Florianópolis, tem Criciúma, que é uma chefia, mas ali dentro é ela por ela, a escola e o diretor com a sua equipe e é quem faz funcionar. Na Secretaria de Educação, que ali envolve o município, a função é tu enxergar a escola de cima do telhado, porque enquanto tu está no chão ali, tu tens uma atitude, tu tens uma forma de agir, tu tens um conhecimento e não existe curso de secretário de Educação, não existe capacitação, não existe um treinamento”, salientou. “Tu vai subindo os degraus e vai entendendo como funciona. Para mim foi extremamente gratificante, eu vinha de um luto recente em que eu precisava achar motivos para tudo, bem fragilizada, mas eu entendi também ali como um desafio”, pontuou.

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