O emocional absorve todas as informações do dia a dia: um momento de descontração, um riso, uma angústia e, principalmente, o estresse. Apesar de ser algo comum, muitas pessoas não conseguem desligar essas informações. Um exemplo é no ambiente de trabalho, onde muitos trabalhadores sofrem com o estresse mesmo após o expediente. De acordo com o psiquiatra Alexandre Kakitsuka, especialista do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim, esse estresse traz alterações no comportamento, como diminuição da atenção, da concentração, irritabilidade fácil e diminuição do sono. Segundo o especialista, um esgotamento mental é diferente de um cansaço normal. Isso porque, ao estar cansado, com um dia de descanso, a pessoa tende a acordar melhor no dia seguinte. “O esgotamento não. O esgotamento exige um cuidado maior, exige um acompanhamento, uma avaliação multidisciplinar de um especialista psiquiatra ou psicólogo”, contou.

Nesse caso de ambiente de trabalho, a síndrome de burnout é considerada uma epidemia silenciosa. “Ela também está dentro das síndromes de transtornos de humor. Então vai ter tanto sintomas depressivos quanto ansiosos, que geram incapacidade laboral, principalmente com o avanço tecnológico pós-pandemia. Hoje nós estamos cada vez mais nos cobrando e sendo cobrados de demandas que não necessariamente são tão urgentes assim. Existe tanto o viés da urgência quanto da disponibilidade”, comentou. “A gente se cobra o tempo todo e, isso em meio à modernidade, acabou se tornando uma epidemia mesmo, silenciosa, porque não se fala tanto e a gente não acaba tendo essa informação e, muitas vezes, não procurando ajuda”, acrescentou.

Segundo o psiquiatra, quando se está em alerta constante, o corpo não consegue relaxar e, consequentemente, não consegue dormir também, assim como não consegue fazer outra atividade. “A gente começa a produzir cada vez mais o anti-inflamatório que, naturalmente, nós temos, que é o cortisol. Então, o cortisol tem como papel diminuir a inflamação do corpo, mas ele também é um sinalizador que a gente está passando por muito estresse”, esclareceu o doutor. “O nosso cérebro recebendo muito cortisol, muita adrenalina, ele passa a sofrer também como um processo de adoecimento. Então ele precisa começar a se desligar, precisa começar a ter tempo para poder descansar, senão ele acaba cada vez mais sofrendo o processo inflamatório”, salientou. Ouça mais detalhes na entrevista:

 

Nesse ambiente de estresse, em determinados casos, a pessoa acaba buscando uma válvula de escape, como o álcool e as drogas. O psiquiatra afirmou que isso acontece porque o cérebro demanda mecanismos de recompensa, que não necessariamente são saudáveis. “Ele acaba se desgastando mais sem conseguir poupar para poder descansar”, pontuou. “A gente tem que usar da nossa capacidade, do cérebro, que é muito adaptável a diversas situações, a nosso favor, para a gente conseguir se organizar, compartilhar um tempo com a família, com boas relações, com atividade física”, disse ainda.