O italiano Franco Gentili fazia serviço como soldado alpino em 1963, ano marcado pela Tragédia de Vajont, em Longarone. O acidente ocorreu no dia 9 de outubro, quando uma enorme rocha se desprendeu do Monte Toc e caiu em uma barragem, provocando uma enorme onda que destruiu a cidade de Longarone. A tragédia matou mais de 2 mil pessoas. Na época, Franco fazia serviço em outra cidade quando recebeu a informação sobre o acidente. Os soldados que estavam em Belluno chegaram em Longarone às 6 horas do dia 10. “Era outubro, bem nevoso, bem frio, mais cinco horas de viagem. Quando chegamos no mapa onde devia estar Longarone, lá estavam dois carros, sempre dos bombeiros, e mais três helicópteros dos soldados americanos”, relembrou. “Eu perguntei para o bombeiro ‘falta muito para chegar a Longarone ainda?’, e ele falou ‘olha, está aqui, não tem nada’. Sumiu tudo”, acrescentou.
Gentili contou que foram mais de 8 milhões de metros cúbicos de água em direção à cidade. “É um tsunami”, pontuou. O italiano, que vive em Florianópolis há 25 anos, salientou que, embora o dique tenha sido bem construído, a montanha ao redor apresentava problemas. “Sabiam que a montanha era podre e que poderia cair”, comentou. Gentili é o presidente da Associação dos Alpinos no Brasil. “A Associação Nacional dos Alpinos, a ANA, é a maior associação do mundo com 340 mil inscritos pagantes, porque todos pagam a conta, tem 80 sessões na Itália e 27 no exterior. O Brasil é uma dessas 27 estrelas. Então todos os Alpinos aqui, com o chapéu, são todos os nossos soldados, são os nossos alpinos”, contou ainda. O programa Ponto de Encontro relembrou a Tragédia de Vajont e abordou outras histórias em entrevista especial com Franco. Ouça na íntegra:
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