Natural de Rio Salto, o urussanguense Gustavo Padilha de Brida realizou o sonho de muitas crianças: jogar a Champions League. Gustavo, que tem 29 anos, é jogador de futsal profissional do Sparta Belfast Futsal Club, da Irlanda. O gosto pelo esporte iniciou desde os seus 5 anos de idade com o incentivo da família. “A minha primeira oportunidade foi ali no Rio Salto mesmo, no Palmeirinhas” conta. “Foi através do Jucemar, do Rio Salto, que foi o meu primeiro treinador, ele que falou assim ‘tem um monte de menino aqui’, pegou a responsabilidade, treinou a gente, levava a gente no campo, treinava uma vez por semana”, relembra, mencionando também que o treinador começou a levá-los no ginásio do Rio América.

Gustavo disputava campeonatos pela escola onde estudava. O urussanguense jogou competições regionais, municipais e torneios pelo Departamento Municipal de Esportes (DME). “Também sempre busquei. Já com uma idade ali para 10, para 11 anos, porque é sempre muito cedo. Já buscava oportunidades fora de Urussanga. Até tinha o meu tio que sempre foi fanático junto comigo, me levava para lá, para cá”, relembra. “Morei no Rio Grande do Sul, morei no Paraná, morei em São Paulo e sempre busquei oportunidades”, enfatiza. Gustavo também teve passagens pelas categorias de base do Criciúma, Tubarão e Hercílio Luz.

A virada de chave de amador para se tornar profissional não foi fácil para o urussanguense. “Ainda com a idade de base, 18 anos, eu resolvi parar. Resolvi parar, eu disse: ‘Cara, está difícil’, a gente sabe que o esporte no Brasil é difícil, não só para o futsal, para outras modalidades”, descreve. “Eu falei: ‘O retorno financeiro não é aquele que eu espero, já estou fazendo 18 anos, estou longe de casa e tudo mais’. Eu disse: ‘Vou parar’. Parei com tudo, trabalhei alguns anos aqui nas empresas aqui em Urussanga, mas sempre mantendo aquele sonho vivo dentro de mim”, explana.

Padilha lembra que trabalhava durante o dia e jogava campeonatos amadores à noite. Ele decidiu que iria guardar dinheiro para fazer a cidadania italiana. “Vou treinar e vou para a Itália fazer minha cidadania e vou jogar, porque tem essas oportunidades também não só aqui, mas também fora do país”, destaca, salientando sobre as dificuldades do período de quarentena em que ficou na Europa, devido a pandemia de Covid-19. Ouça a entrevista completa:

 

Na Europa, Gustavo trabalhava em um café lotérica, em uma cidade pequena. Nesse período, o jogador atuava na Frenter Larino, clube da terceira divisão do campeonato italiano. “Foi bom porque é uma cidade mais ou menos como Urussanga, acolhedora, todo mundo gosta do esporte, tem jogo, todo mundo vai, então foi bem legal”, enfatiza. Padilha conta que começou a ter um retorno financeiro com o esporte. Ele também passou pelo time de Grottaccia. Com o passar do tempo, Gustavo foi recendo oportunidades, quando foi para a equipe do Torremaggiore, mais voltada para o Sul da Itália.

Padilha destaca a transição da Itália para a Irlanda. “Como eu já não sabia se eu ia renovar ou não, eu tava buscando oportunidades. E eu conversei com o presidente do time da Irlanda, do Blue Magic, a gente conversou e entramos em um acordo”, relembra. “Tinha a questão principal, que sempre foi o meu sonho desde quando era criança, que foi a Champions League”, descreve. “A hora que ele falou: ‘a gente foi campeão, a gente vai jogar a Champions League’, eu falei, beleza, pode ir, é para aí que eu vou”, acrescenta.

Ainda na Irlanda, Gustavo atualmente joga pelo Sparta Belfast Futsal Club. “Eu fui campeão também da Copa da Irlanda e do Campeonato Nacional. E esse último ano a gente foi campeão do Campeonato Nacional também na Irlanda do Norte, que é uma outra liga. Também temos agora mais uma Champions League para disputar em agosto agora”, conta. “Converso com algumas crianças, eu incentivo bastante, porque eu passei por isso, eu sei que é difícil de sair do Rio Salto, o pessoal fala: ‘daqui não sai ninguém, Urussanga é pequeno, não tem nada’, e eu falo, ‘não, eu vou tentando, buscando oportunidade'”, ressalta. “Daí a gente chega num certo ponto que a gente vai desistindo, porque a gente sabe que é difícil o retorno, o retorno financeiro é complicado, não só no futsal, em qualquer esporte. E vai pesando, vai fazendo idade, vai pensando, ‘já fiz 18′”, explica. Gustavo enaltece a persistência e a fé. “A frase que eu uso bastante é assim, ‘tu tem que trabalhar como se dependesse só de ti e ter fé como se dependesse só de Deus'”, destaca.

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