O lipedema é uma doença crônica caracterizada por ser uma gordura localizada principalmente nas pernas. De acordo com a angiologista Ana Paula Martins Nazário, a condição pode ser exemplificada como uma mulher que possui uma cintura mais fina, mas as pernas com a aparência mais inchada. “Essa gordura é um processo inflamatório que, em muitos casos, acaba estabelecendo a mulher dor ao toque na perna, hematomas frequentes, aquele cansaço, aquele peso e automaticamente vai mexendo com a autoestima porque é uma mulher que busca, de forma incansável, regimes, dietas, academia e não consegue ver a musculatura ficar torneada”, comenta a médica. “O lipedema é uma condição onde há uma gordura no corpo das mulheres principalmente de forma desproporcional à cintura e onde não há resultados com emagrecimentos ou com lipoaspiração ou com bariátrica”, acrescenta a especialista.

Ana Nazário explica que o diagnóstico do lipedema é clínico. “Você percebe que a tua perna é diferente da tua cintura, principalmente no sentido de gordura localizada, que é o tipo de gordura que quando você aperta a pele é como se fosse um saquinho de sagu, é uma gordura assim, parece estar cheia de bolinha naquela gordura, diferente da gordura da obesidade, que é como se fosse um pedaço de queijo, mas inteiro assim”, exemplifica a doutora. “Outra coisa que é sempre muito relacionada são os hematomas. ‘Nossa, nem bati, parece que eu estou sempre roxa’. Então são alertas de que algo está diferente. Por que tem hematomas? Porque como é uma gordura que tem uma circulação relacionada a ela, essa gordura está inflamada. Então você consegue ter essa inflamação nos vasinhos da gordura e qualquer batidinha rompe e ficam os hematomas”, esclarece a angiologista.

O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista no programa Comando Marconi. Ouça na íntegra:

 

Por ser uma doença crônica, o lipedema não possui cura, mas tem tratamento. “Um médico sozinho não vai dar conta de dar suporte para essa mulher, a gente sabe disso. É uma doença que envolve uma alimentação adequada, uma drenagem adequada, que é a fisioterapia que entra, uma atividade física adequada, você ter o acompanhamento médico de forma adequada também para controlar essa doença. É igual o diabetes, vai ter um controle da doença, um controle do processo inflamatório. Então quando você prepara uma equipe para esse acolhimento, também com a psicologia junto, ou até mesmo a psiquiatria, você acaba dando melhora para a qualidade de vida da pessoa”, reforça.

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