Os cuidados com a saúde do homem começam desde cedo. É por isso que a cada ano os órgãos de saúde reforçam a importância do autocuidado. Durante a campanha do Novembro Azul deste ano, a Sociedade Brasileira de Urologia está realizando, pela primeira vez, o Novembrinho Azul. O objetivo é a prevenção de doenças para meninos de até 15 anos de idade. “O nosso enfoque vai ser nas doenças identificáveis, nas malformações identificáveis, que devem ser corrigidas precocemente para que se tenha uma condição de desenvolvimento adequado ao longo da vida. Então, a gente vai chamar muita atenção esse ano ao testículo não descido, que o termo médico é criptorquidia, a torção testicular, que é uma urgência em medicina, uma urgência em urologia, e também a vacinação de HPV”, destaca a doutora Veridiana Andrioli, membro da Comissão de Comunicação da Sociedade Brasileira de Urologia.
Sobre a criptorquidia, a especialista explica que, durante a gestação, o testículo do menino vai se formar perto do rim, embaixo da última costela. “Durante a gravidez, esse testículo vai descendo e, só perto de nascer, essa bolinha vai se localizar lá no escroto, no saquinho. Então, crianças que são prematuras, por exemplo, tem uma chance maior do testículo não estar na bolsa ao nascimento, chega a 40% mais ou menos. Já a criança que nasceu a tempo, ou seja, a criança que nasceu dentro do tempo esperado, que não é prematura, até 4%”, esclarece. “No exame físico, na maternidade, já se deve ter essa noção. Examinou, viu que a bolinha, o testículo não mora dentro do saquinho, os pais devem ser alertados a procurar um profissional da área da saúde, principalmente um urologista pediátrico, um cirurgião pediátrico, mas sempre com a referência do seu pediatra, porque se esse testículo não desceu até o sexto mês de vida, então para as que são prematuras a gente vai fazer a correção, mas se não desceu, a bolinha não mora no saquinho até o sexto mês, não tem discussão, a conduta é cirúrgica”, acrescenta.
O assunto foi abordado com mais detalhes pela doutora Veridiana em entrevista no programa Ponto de Encontro. Ouça na íntegra:
No caso da torção testicular, a especialista reforça que é uma situação de emergência. Conforme a doutora, o testículo tende a se movimentar naturalmente, subindo e descendo em diversas situações, por exemplo, quando a criança tosse. “Pode ser que ele acabe torcendo em volta dele mesmo. Isso faz com que pare de ir sangue para o testículo. Isso é uma urgência. A criança menor, um não adolescente, pode ter sintomas específicos, por exemplo, fala que está com dor no pé da barriguinha, está com náusea, está com vômito. É nossa obrigação abaixar a fraldinha, a cuequinha e ver se a bolinha está no lugar, se está vermelho, se está quente, se está inchado, porque isso é uma urgência”, salienta. No caso dos jovens, a doutora frisa que o pico de acontecer uma torção é dos 12 aos 25 anos de idade. “Mas pode acontecer em qualquer época da vida. Os adolescentes mencionam uma dor, facada, muito forte, bem súbita, uma náusea com vômito. O testículo acaba ficando um pouquinho mais elevado, mas ele está ali, e você vê a alteração do escroto. E, obviamente, como eu disse, é uma urgência. O tempo é o determinante da chance de se salvar esses testículos, e a indicação é cirúrgica também”, comenta.
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