Aos 92 anos de idade, o padre Carlos Weck é inspiração para outros sacerdotes e também leigos. Natural da comunidade de Ribeirão Pequeno, no interior do município de Laguna, Carlos cresceu em uma família com mais de 10 irmãos, sempre ajudando seus pais nos trabalhos na roça. Carlos lembra que, quando criança, seu pai perguntou aos filhos o que eles queriam ser quando crescessem. Foi aí que ele disse que queria ser padre. “Aí um dia, a minha irmã Pedra chegou, nós chegamos da missa, e ela disse ‘Carlos, o padre perguntou se tem algum menino que quer ser padre’, aí eu disse ‘eu quero ser’. Mas eu não entendia nada. É verdade que a família participava, meu pai foi presidente da igreja, teve todos esses momentos, mas eu muito pouco entendia de padre, embora a minha família fosse religiosa”, disse.

O entendimento de Carlos sobre o sacerdócio era tão pouco que ele acreditava que os sacristãos da igreja eram filhos de padre. Foi aí que uma de suas irmãs explicou que padre não casava e não tinha filhos. Carlos entrou no seminário aos 14 anos de idade, em São Ludgero. “Saímos do Ribeirão, fomos até o quilômetro 37, viajando três horas para pegar o trem. Dali, pegava até Tubarão. Tubarão moravam meus parentes, os avós. Chegamos a Tubarão, atravessamos o rio de baitera e fomos apanhar o ônibus de Braço do Norte. Naquele tempo, não era Braço do Norte, era Quadro do Norte”, relembrou. Carlos chegou a São Ludgero a pé, junto com um colega que era vizinho seu. Os estudos de Carlos também incluiu passagens nas cidades de São José de Azambuja, Brusque e em municípios do Rio Grande do Sul, totalizando sete anos de estudos. Carlos se ordenou padre em 1963.

Após sua ordenação, Carlos ainda concluiu a faculdade de Teologia, período em que trabalhou em paróquias de Porto Alegre e região. Quando retornou a Santa Catarina, o bispo informou que ele atuaria em Criciúma. Depois de um tempo, Carlos começou a atuar na Paróquia de Santa Bárbara. Foi durante essa época que o padre também atuou um tempo baixando as minas. “Eu baixei a mina até onde estavam os operários, pedindo uma coisa para eles: ‘eu vou trabalhar agora aqui em Criciúma, na Paróquia Santa Bárbara, e eu queria pedir a vocês um estímulo, que vocês me ajudassem a administrar essa paróquia, porque eu sou um padre novo, não tenho ainda aquela experiência’. Eu ai até lá no fundo e eu falava com os mineiros. Aí eles prometeram ‘conte com a gente'”, recordou.

Além da atuação religiosa, padre Carlos é um importante nome na comunicação. Foi ele o responsável por criar programas religiosos em algumas emissoras de rádio. O sacerdote contou que, em 1964, um ano depois de ser ordenado, sugeriu a uma emissora de rádio que fizesse um programa religioso no início do dia, com uma oração. Foi aí que Carlos começou a fazer um programete de cinco minutos, que aos poucos foi aumentando o tempo de duração. O padre fez a atividade em diversas emissoras de rádio com o passar dos anos. Na Rádio Marconi, padre Carlos criou o programa “Alvorada do Cristão”, durante o tempo em que atuou em Urussanga, no qual existe até hoje. O sacerdote passou 10 anos na paróquia urussanguense, tempo em que foi o apresentador do Alvorada do Cristão também. Foi o Monsenhor Agenor Neves Marques, fundador da Rádio Marconi, que solicitou para que o padre Carlos criasse o programa. O padre Carlos participou de uma entrevista especial na Rádio Marconi e falou mais sobre sua história de vida. Ouça na íntegra:

Parte 01

 

Parte 02

 

Confira a entrevista também em vídeo:

20260617 120536.jpg