Foi sancionado, nesta segunda-feira, dia 13, pelo Presidente Lula, o Projeto de Lei que estabelece restrições ao uso de celulares e outros dispositivos eletrônicos portáteis em escolas. A medida vale para escolas públicas e privadas de todo o país. Fica, assim, limitada a utilização dos aparelhos para fins não pedagógicos pelos alunos, incluindo nos intervalos e recreios. Fica autorizada a utilização dos aparelhos para fins pedagógicos pela escola, em situações de emergência, bem como para acessibilidade, inclusão ou necessidades de saúde dos estudantes. A medida será válida para a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio. A nova legislação busca regulamentar o uso de dispositivos eletrônicos em sala de aula para melhorar o desempenho escolar.

Confira na reportagem de Denise Coelho:

 

O diretor da Escola Caetano Bez Batti, da rede estadual de ensino em Urussanga, Márcio Lucas da Cruz, expressou seus pensamentos como educador em relação ao assunto. Segundo ele, quando assumiu a direção da escola, em 2020, havia tentado proibir o celular. Porém, após manifestações contrárias de alunos, professores e pais, houve uma reunião que decidiu por permitir o uso do celular em sala de aula. Depois de um tempo, Márcio contou que a medida de proibição precisou ser adotada, sendo, desta vez, um pedido dos próprios professores.

“No ano passado, até, assim, o pedido dos próprios professores, tendo que proibir o celular, porque já virou uma questão, assim, que a gente não consegue mais ter controle”, destacou o diretor. O professor mencionou que o espaço escolar é para aprender, aprender a fazer, ser e conviver, e, dentro desse processo, o celular acaba prejudicando. “Porque ali é um momento de uma conexão entre professor, aluno, aluno a aluno, é assim que é o processo de aprendizado. Então, hoje, a gente tem na escola até disponível um laboratório de tecnologia. Então, quando for o uso necessário de tecnologia, se usa o laboratório de tecnologia”, exemplificou o gestor escolar.

O professor Márcio lembrou o que especialistas falam a respeito do uso do celular, que pode estar prejudicando o cognitivo do aluno e o processo de aprendizagem. Márcio pediu apoio das famílias quanto a esta questão. “Então, vai ter uma questão familiar também, a relação pai e aluno vai ser necessária. Então, vai ter que ter uma questão familiar, porque a gente já proibiu, o aluno leva escondido. A própria legislação agora é mais clara, ela coloca que não é só no ambiente da sala de aula, essa legislação nacional também vale para corredores e outros espaços. E o pai, realmente, naquele momento, até queria que o aluno ficasse no celular, usasse o celular, por questão de comunicação entre as famílias. Então, hoje facilita muito isso, mas eu acho que, no momento, a família vai ter que ver. O processo de mentalização é prejudicado, e o pai vai ter que intervir na família, mas não vai ser um processo fácil”, analisou o diretor.

O diretor da Escola Barão do Rio Branco, também da rede estadual de ensino em Urussanga, Juliano Carrer, participou da conversa e lembrou da lei estadual, pontuando que agora parece haver algum tipo de avanço nacionalmente. “Em 2008, teve a lei estadual, que foi aprovada, que simplesmente proibiu o uso do celular. Essa lei, agora, faz alguns avanços, porque ela acaba trazendo elementos da saúde mental, de acolher essas pessoas que não conseguem lidar com a ausência do celular. Então, me parece que ela melhora alguns aspectos e vai fazer com que as instituições, assim, né, as escolas, tanto do governo do estado, do governo federal, quanto do governo municipal, pensem também em ações nessa direção, né? É uma pena que a gente chegou nesse ponto enquanto sociedade, mas me parece que não tem outro caminho, tá? Interfere na vida deles, interfere na saúde mental, interfere na aprendizagem, e o consenso do universo adulto é fixo. Me parece que precisa proibir”, lembrou ele.

O professor sugeriu se colocar no lugar dos alunos adolescentes. “Mas os adolescentes não pensam assim, a maioria deles, tá? A gente fez uma consulta até com os nossos estudantes e, de maneira geral, eles estão contra a proibição. Mas a gente também tem experiência de proibição do uso já. Por exemplo, já vem alguns anos que, no ensino fundamental, do sexto ao nono ano, não pode usar no período vespertino. No ensino médio noturno, a gente fez uma experiência de proibição. É muito exitoso: melhoram as aulas, melhora a aprendizagem, melhora o comportamento. Então, me parece que é o caminho adequado neste momento em que vivemos enquanto sociedade”, exemplificou o gestor.

O educador Juliano também entende que é importante que os familiares ajudem os filhos a entender que o celular tira a atenção deles na aula. “Só que a gente chegou num ponto em que a sociedade, alguém tem que dar o exemplo. Então, me parece que é a hora de a escola fazer isso, de mostrar que tem caminhos diferentes. E, é claro, é uma missão difícil, porque a gente vai enfrentar resistência, já que eles, de maneira geral, vão deixar na mão da escola resolver isso. Eu preciso, sim, que as famílias peguem junto, nos orientando. Em alguns casos, não deixando trazer mesmo, porque a gente tem muitos alunos ali na escola que pegam transporte escolar e que, às vezes, nos locais onde eles saem do transporte, o celular é necessário. Então, vão ter que ter situações em que o celular precisa ser trazido, mas as famílias precisam pegar junto”, finalizou o diretor.

Os diretores Márcio Lucas da Cruz e Juliano Carrer foram entrevistados durante o programa Comando Marconi desta terça-feira, dia 14. Confira:

 

Da Redação