A síndrome dos ovários policísticos é muito comum entre as mulheres. Apesar do nome, a ginecologista Bianca Pellegrin explica que a doença não é exclusiva dos ovários. “Ela é uma doença sistêmica, ela é uma endocrinopatia, em que a mulher tem uma alteração endócrina que gera várias consequências para ela, como alterações metabólicas de insulina, que tem repercussão também na parte de funcionalidade dos ovários e do ciclo menstrual”, explica. “Então, é importante que a gente saiba que não é uma doença apenas de ovários, de menstruação, a gente tem então repercussões, consequências sistêmicas para essa paciente”, acrescenta a doutora.

Conforme a especialista, a síndrome difere de cistos nos ovários. “Ovários com padrão policístico não significa, necessariamente, síndrome dos ovários policísticos. Para que eu tenha síndrome dos ovários policísticos eu preciso preencher alguns critérios, que seriam dois de três”, esclarece. De acordo com Bianca, esses critérios envolvem um padrão de ovário policístico; alteração hormonal, como acne, oleosidade ou um padrão de pelo masculino; e longos períodos sem menstruar. “Tendo dois, eu preencho critério para síndrome dos ovários policísticos e, mesmo assim, eu preciso excluir algumas outras doenças que geram manifestações semelhantes”, salienta Bianca. “É uma doença comum em mulheres em idade reprodutiva, então, mulheres que estão no período de menstruar. É bastante frequente e que gera muita insegurança”, reforça.

Além das alterações hormonais e da preocupação de não conseguir engravidar, a síndrome pode gerar outros problemas, como maior chance de ter diabetes, infarto e AVC, além de câncer de endométrio. “A base do tratamento da síndrome dos ovários policísticos é a alimentação e a atividade física. Então, eu costumo dizer que é o primeiro degrau. A gente não pode ir para o segundo, para o terceiro, para o quarto degrau se não respeitar o primeiro”, pontua. “Uma alimentação guiada por uma nutricionista não é dieta, não é passar fome, não é restrição alimentar, é a alimentação direcionada para a paciente com síndrome dos ovários policísticos”, diz. Conforme Bianca, é possível perceber que, uma paciente com a síndrome que está há seis meses sem menstruar, por exemplo, volta a menstruar com a realização da atividade física e de uma alimentação balanceada.

O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista com a ginecologista Bianca no programa Ponto de Encontro. Entenda mais:

 

Com a alimentação e a atividade física, o tratamento parte para outro ponto. “A partir disso, quero engravidar? Não quero engravidar? Se eu não quero engravidar, eu vou usar anticoncepcional. Eu vou usar alguns anticoncepcionais que têm benefícios adicionais nesses sintomas da síndrome dos ovários policísticos, mas veja bem, não é ele que vai tratar. O anticoncepcional, com ele, eu vou menstruar todo mês. Então ele vai me dar a sensação de que está tudo resolvido e, na verdade, eu estou menstruando todo mês porque eu estou tomando”, avalia. “A síndrome dos ovários policísticos não se trata com cirurgia. Então, por exemplo, se eu tenho um ultrassom com padrão policístico, vou tirar esses cistos, não vai resolver, porque a doença não é cisto de ovários, é uma doença sistêmica. Então, eu tenho uma alteração metabólica que gera como consequência o ovário com padrão policístico, então não é resolvendo a consequência que vai estar tratando”, salienta.

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