O equilíbrio entre expectativas, emoções e objetivos de vida é um dos principais caminhos para preservar a saúde mental. A avaliação é do psicanalista, filósofo e especialista em saúde mental Renato Oliveira, autor do livro “Quando a autoajuda não ajuda e quando ajuda”. De acordo com o especialista, nem sempre o pessimismo é um problema, já que há situações em que ele é necessário. “Tem hora do otimismo e tem hora do pessimismo”, falou. “O otimista inventou o avião, o pessimista, o paraquedas”, acrescentou, destacando que essa é uma das observações registradas em sua obra. “A nossa tendência é para o pessimismo, o ser humano não é para o lado otimista, tanto que se a nossa tendência fosse para o otimismo, não existiria a frase ‘cabeça parada, oficina do diabo’, por isso que as pessoas ficam trabalhando o otimismo, estimulando o otimismo em função dessa necessidade, mas, claro, saiu-se de um extremo e entrou no outro”, pontuou, ressaltando que é necessário ter um equilíbrio.

Para Renato, a maioria das pessoas espera algo acontecer, mas não faz o acontecer. O psicanalista ressaltou que é preciso ter cuidado com a obsessão, já que a vida é considerada dinâmica. “Você tem que ter objetivos pessoais, profissionais, filantrópicos, criar esse dinamismo na tua vida, porque esse processo obsessivo não abre portas, fecha”, disse. Renato explicou mais do assunto usando o exemplo de um gestor de uma empresa. “Às vezes aquele gerente fica pressionando, pressionando, pressionando. Imagina você dirigindo e eu do teu lado na expectativa que tu erre. Como é que tu vai dirigir? Relaxado ou tenso?”, comentou. “É assim que muita gente gerencia, uma forma tensional na obsessão por resultados”, observou, afirmando que por isso cada vez mais as empresas e negócios contam com apoio psicossocial para os seus gestores e colaboradores. O psicanalista Renato falou sobre esse e outros assuntos em uma entrevista especial ao programa Ponto de Encontro. Confira:

 

O especialista ainda falou sobre a ansiedade, comparando ela à febre, ou seja, até certo nível é considerado normal. “Até um determinado ponto é natural, mas, quando excede, como a febre diz que algo não está bem no organismo, a ansiedade no seu excesso está dizendo que algo não está bem no psicológico”, falou. Renato disse que uma das questões da ansiedade é o alto grau de expectativa que as pessoas têm sobre tudo. “Tem hora que a gente tem que aprender com o passado, tem hora de viver no presente, tem hora que tem que pensar no futuro, inclusive com esperança. Mas tudo tem o seu momento, tudo tem o seu tempo e a nossa geração está muito nessa questão de expectativa”, comentou. “Nós temos uma geração, posso colocar que é a minha geração, de uma geração de muita expectativa. A geração atual dos jovens, a gente percebe, sem expectativa nenhuma. Tu vai trabalhar com eles, pergunta assim ‘qual a proposta de vida de vocês?’, ‘Não sei’; ‘Qual teu objetivo de vida?’. ‘Não tenho’. Tu vê que a gente sai de um extremo e entra para outro extremo”, pontuou.

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