Os dias mais quentes também acendem o alerta para o cuidado com os alimentos. Desde o preparo e armazenamento até o consumo, as pessoas devem ter em mente que a deterioração dos alimentos se torna mais acelerada nos dias de calor. “A sugestão que a gente tem para prolongar a vida útil desses alimentos é a conservação em baixa temperatura através dos refrigeradores, das geladeiras”, destaca a doutora em Engenharia de Alimentos, Miquele Lazarin Padula. Segundo a especialista, é importante também estar atento a regulagem dos equipamentos, garantindo que a temperatura fique de acordo.

Diferente dos produtos ultraprocessados, que não são tão afetados pelo calor, os alimentos como frutas e verduras são mais sensíveis a temperaturas elevadas. No entanto, conforme Miquele, os alimentos de origem animal são os que mais apresentam risco durante o verão. “São alimentos que, por natureza, já apresentam uma certa sensibilidade ao desenvolvimento de microrganismos que podem estar causando doenças nos consumidores”, comenta.

Sobre a identificação de que um alimento está impróprio para o consumo, a doutora destaca que é algo subjetivo. “A gente não tem como afirmar uma certa contaminação, uma deterioração, só por questões visuais ou de aroma. O importante é que a gente saiba qual foi a forma de acondicionamento e de manipulação desse alimento. Se esse alimento foi manipulado de forma correta, seguindo as condições higiênico-sanitárias adequadas, se ele foi mantido nas temperaturas baixas por um certo período de tempo adequado, porque a gente também não pode colocar o alimento lá dentro da geladeira e esquecer dele, e achar que essa temperatura da geladeira vai fazer com que ele seja eterno”, comenta.

O assunto foi destaque em entrevista no programa Ponto de Encontro com a doutora Miquele. Ouça mais na íntegra:

 

Com o calor, muitos aproveitam para curtir uma praia. Nesses lugares, é comum a venda de alimentos a beira-mar. A especialista alerta também para estar atento a origem desses alimentos. “Existem riscos sim e são riscos severos, porque a gente pode estar tendo uma intoxicação alimentar, estar adquirindo alguma doença transmitida por alimento”, comenta. “O ideal é que a gente dê prioridade para o consumo de frutas, para o consumo de alimentos industrializados, aqueles que foram preparados e que têm resistência para ficar em condições hostis. Evitar alimentos que sejam muito manipulados, como, por exemplo, salada de frutas”, acrescenta a doutora.

Além da procedência e preparo, é importante conhecer as recomendações da forma de armazenamento. Por isso, é preferível evitar congelar e descongelar os alimentos por várias vezes, principalmente quando se tratam de carnes. “Elas podem ser congeladas, mas não deveriam. Quando a gente faz um processo de congelamento do alimento, a gente tem a geração de cristais de gelo e, dependendo da forma como esse congelamento aconteceu, esses cristais de gelo se tornam grandes e pontiagudos, e durante o descongelamento a gente acaba tendo danos nas células, nas fibras dessas carnes, e com isso a gente tem perda de conteúdo nutricional desse alimento. Então, uma vez que qualquer alimento seja descongelado, a recomendação é que ele não seja congelado novamente”, explica.