Há pessoas que, durante a sua trajetória de vida, buscam sempre deixar ensinamentos e marcas que se perpetuam positivamente. A história de Cacilda Bez Fontana, natural da comunidade de Rio América, em Urussanga, é feita de pequenas e grandes marcas. Professora há muitos anos, ela encontrou na educação uma forma de transformar vidas, na fé uma fonte de inspiração e na simplicidade um jeito de compreender o mundo. A urussanguense faz parte de uma família de cinco filhas, contando com ela. Atualmente com 59 anos de idade, a história de Cacilda inicia na localidade onde vive até hoje: no Rio América. Ainda criança, acompanhava os pais na roça, onde ganhou até uma pequena enxada para ajudar no trabalho. “Eu não tenho vergonha de dizer de jeito nenhum que eu sou colona. Eu sou da agricultura e eu aprendi a fazer isso com o meu pai, com a minha mãe. Desde pequena, eu lembro que o pai fazia para todas nós, mas principalmente eu, porque eu sempre fui a mais fortinha, uma enxadinha e eu ia com eles, com o pai e a mãe”, relembrou.
A relação de Cacilda com a educação iniciou ainda em Urussanga. A professora atuou na Fundação Catarinense do Bem-Estar do Menor (Fucabem), hoje conhecido como Centro de Convivências. “Eu trabalhava com eles à tarde, estudava de manhã ou o contrário. Ali eu já comecei a tomar gosto pela educação”, disse. Dois anos depois, em 1987, começou a atuar em sala de aula, no Rio América. Eram turmas de primeiro ano que chegavam a reunir 45 alunos. Em 1991, após a conclusão da faculdade, Cacilda decidiu ingressar em um convento em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A urussanguense considera que a experiência foi uma grande oportunidade para a sua vida. “As pessoas que fazem parte da história da gente, da vida da gente, deixam marcas, como a gente, como educadora, nós deixamos marcas”, refletiu. Para Cacilda, a experiência de viver em Porto Alegre foi bastante desafiadora. “Na vida religiosa a gente passa por etapas”, falou.
Ainda como religiosa em Porto Alegre, Cacilda também atuou em escolas. A trajetória da professora urussanguense também inclui passagens por Florianópolis. “Eu sempre fui envolvida com igreja. Desde que eu me conheço por gente, eu sempre fui meio metida, como diz uma amiga minha”, comentou. “Quando eu fui para lá foi desafiador por ter deixado o pai e a mãe, também eles ali, mas eu queria fazer essa experiência, eu sentia também o chamado à vida religiosa. Fiquei dez anos, atuei na educação, foi uma experiência excelente”, contou. Cacilda afirmou que acredita na transformação da vida através da educação. Durante esse período, a professora chegou a atuar em instituições de ensino, atuando em diferentes áreas, como Ensino Religioso, Filosofia e Sociologia, além de participar da formação de professores. Investiu na própria formação e realizou uma pós-graduação em diálogo ecumênico e inter-religioso.
Em 2002, Cacilda decidiu deixar a vida religiosa. A escolha não apagou os dez anos vividos no convento, e nem rompeu sua ligação com a espiritualidade. “Eu deixei de ser irmã por alguns desgostos relacionados a isso também. A igreja é santa e pecadora. Também tem algumas coisas que eu não concordo enquanto ser humano, enquanto proposta evangélica”, disse, comentando que sonha que ainda vive no convento. Mesmo saindo da vida religiosa, Cacilda optou por não ter relacionamentos românticos. “Quando a gente assume a vida da gente, quando a gente é responsável pela vida da gente, a gente cria um gostinho também de ficar sozinho e a gente aprende a ser feliz dessa forma. Não sou contra casamento de jeito nenhum, mas foi uma opção que eu fiz bem consciente também”, pontuou. Cacilda participou de entrevista no programa Ponto de Encontro e falou mais sobre a sua história. Ouça:
Parte 01
Parte 02
Após deixar a vida religiosa, Cacilda passou a lecionar novamente em Urussanga. Atualmente, a urussanguense é coordenadora pedagógica do pré ao 5º ano na Escola Antonieta Quintanilha de Andrade, localizada em sua comunidade natal, no Rio América. Além da educação, Cacilda ainda segue firme nas ações da igreja. A urussanguense é ministra da palavra e também catequista. Neste ano, convidada pela Rosa Miotello, Cacilda passou a apresentar o Alvorada do Cristão e o Andorinha Mensageira, programas religiosos da Rádio Marconi. “Eu me senti desafiada em relação a isso e foi uma parceria que deu certo. Só agradeço a Rosa”, disse. Para Cacilda, sempre é possível evangelizar. “Nas coisas mais simples tu podes falar de Deus. Quando tu vês uma flor, quando tu vês a natureza”, mencionou. “Para mim é muito gratificante falar desse Jesus que eu acredito, que é uma pessoa extremamente simples, que eu aprendo a amar todo dia de novo, que me desafia, que é bom”, disse.
Confira a entrevista também em vídeo:



































