O poder público, entidades e associações querem melhorias na energia elétrica de Urussanga. Isso porque uma falha na linha de transmissão das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) provocou um apagão de cinco horas na região atendida pela Empresa Força e Luz de Urussanga (Eflul). A falta de energia ocorreu por volta das 9h30 dessa terça-feira, dia 3, vindo a ser reestabelecida aproximadamente às 14h45. Para a Rádio Marconi, o gerente de distribuição da empresa, Augusto Nichele Ottoni de Almeida, explicou que a hipótese inicial é que o cabo da Celesc sofreu dano parcial no último dia 17 de fevereiro, terça-feira de Carnaval, quando Urussanga também registrou queda de energia, vindo se romper durante nessa semana. Por causa desse episódio do dia 17, a equipe da Eflul já havia agendado uma reunião com representantes da Celesc, em Florianópolis, para tratar sobre o tema. O encontro ocorreu durante a manhã desta quarta-feira, dia 4. “O objetivo é pleitear redundância para a Região Carbonífera, pois muitos municípios ainda estão em condição de fornecimento radial. Com a dependência crescente de energia elétrica, precisamos de redundância para controlar melhor situações como essa”, disse Augusto em entrevista ainda nessa terça.
O secretário de Desenvolvimento da prefeitura de Urussanga, Leonardo Felippe, afirmou que a administração vem acompanhando a situação também. Embora não envolva a prefeitura, o poder público está preocupado com os recentes apagões de energia no município. “Urussanga não pode ficar refém dessa situação. Nosso serviço público também parou. A cidade, a indústria, o comércio também para de produzir”, destacou. “A prefeita ontem mesmo determinou que a gente entrasse em contato, juntamente com a Eflul, para ver o que a gente consegue fazer nessa situação com a Celesc”, disse, acrescentando que a prefeitura também tem buscado contato com as operadores de telefonia, que ficam sem área em quedas de energia.
A presidente da Câmara de Vereadores, Izolete Duarte Vieira, destacou que muitas reclamações foram registradas durante o apagão. “É difícil, é difícil para os empresários, é difícil para o comércio, a gente escutou vários relatos, é difícil para quem está acamado, que hoje depende também”, comentou, complementando que é necessário ter a união de forças para encontrar um segundo plano para ser usado em casos de apagões. “Se a Eflul não consegue sozinha, se une. Chama a prefeitura, chama a Câmara de Vereadores, chama a CDL, chama a Aciu, chama todo mundo para resolver a situação. Vamos para Florianópolis, nos deputados, para tentar resolver essa situação”, ressaltou.
O prejuízo do apagão foi sentido pelo comércio. Segundo a presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Kamila Fretta Fabro, uma falta de energia gera um impacto muito grande para os comerciantes. “O comércio, hoje, depende totalmente da energia elétrica para funcionar, como por exemplo, os sistemas de vendas, as máquinas de cartão, as câmaras frias no caso de supermercados e comércios alimentícios. Os atendimentos em si demandam muitas vezes de energia elétrica, como por exemplo as nossas clínicas odontológicas que são filiadas, laboratórios de análises clínicas, a segurança também”, pontuou.
Matheus Cardoso, vice-presidente da CDL e também representante de uma clínica odontológica, citou sobre o sinal de telefonia, no qual a maioria das pessoas ficam incomunicáveis. “A gente não tem informação, a gente não sabe quando volta”, comentou. “Nesses dois anos que ficamos com a clínica aberta, houve queda de energia três vezes. As três vezes tivemos prejuízo porque a agenda estava cheia, levando também em consideração que nós temos raio-x. Então em uma queda de energia temos prejuízo grande se houver uma queima de algum equipamento. A gente tem pacientes de outras cidades que vem até Urussanga para se consultar, para ir ao comércio, e não tem como comunicar essas pessoas que estamos sem energia”, relatou.
Celso Cardoso, também de uma clínica odontológica, afirmou que um município que deseja crescer economicamente não pode passar por situações como essa. “Esse tipo de condição, de evento, traz um prejuízo enorme para todos, tanto para o município quanto para as pessoas que querem investir aqui em Urussanga. A gente sabe que ficar à mercê de uma única linha em uma cidade do tamanho de Urussanga, onde a gente fica isolado, é realmente difícil”, comentou. “A gente não pode ficar por uma única linha. E, se a gente for para o plano B, vai ter parte política, você vai ter que fazer um planejamento, licitações, e a gente fala isso tudo, a gente sabe que demora. Então, unir forças para que a gente consiga isso o mais rápido possível”, disse ainda.
Joelma Fornasa, presidente da Associação Empresarial de Urussanga (Aciu), falou que é necessário cobrar da Celesc e também do governador Jorginho Mello. “A gente tem que partir para cima da Celesc e depois nós temos que ir para a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), lá em Brasília, que ela é a reguladora realmente, é a que manda lá em todas as concessionárias e a Aneel manda na Celesc”, disse. Joelma ainda destacou que algumas empresas maiores da cidade conseguiram trabalhar por conta de geradores, mas que há outros ramos que não possuem essa possibilidade. “Nós temos que trabalhar pelas menores, nós temos que trabalhar para todo mundo que está aqui, nós temos que trabalhar pela cidade”, reforçou.
A coordenadora do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) de Urussanga, Tatiane de Costa, relatou que são muitos casos de reclamações sobre o serviço prestado pela Celesc. “É uma empresa terrível, é isso que eu tenho a dizer. É uma empresa assim que é muito difícil chegar até ela. A delegada Michele, que coordena os Procons catarinenses, tem uma dificuldade muito grande de fazer reuniões com eles porque é difícil o contato”, afirmou. “Eu acho que todos nós que estamos aqui poderíamos nos reunir e fazer no Procon mesmo uma reclamação conjunta para ir diretamente para a ouvidoria e cair nesse meio do descontentamento do que estão fazendo em Urussanga”, comentou.
Inclusive, a produção da Rádio Marconi entrou em contato com a equipe de comunicação da Celesc para falar sobre o assunto ainda na tarde dessa terça-feira. A resposta foi de que era preciso um tempo para o levantamento de informações sobre o caso e também de um porta-voz para falar sobre a situação. O programa Comando Marconi realizou uma entrevista especial com os representantes do poder público, entidades e associações para falar sobre o tema. Ouça na íntegra:
Operadores de telefone
Em Urussanga, quando há queda de energia, as redes das operadoras Tim e Vivo também ficam sem sinal. Segundo Leonardo, a prefeita Stela Talamini já encaminhou um ofício para as operadoras para que tomem providências com relação aos geradores de energia, que devem ser acionados em casos de apagões. “Deixando bem claro que a prefeitura está do lado da população. A gente também sofreu muito, o nosso serviço ontem também por cinco horas parou, o nosso sistema parou. Então a gente está à disposição para buscar melhorias e buscar uma solução, porque Urussanga vive um novo tempo”, disse o secretário.
A vereadora Izolete também relatou que o Legislativo está preparando um requerimento para as operadores de telefone. “Já estamos fazendo um requerimento para chamar para, pelo menos, explicar e ver o que pode ser feito”, falou. Conforme Izolete, a Tim já se colocou à disposição para conversar com os vereadores. “Eu queria que eles viessem na terça-feira, quando a gente tem a reunião, para o povo escutar, não só os vereadores ficarem escutando o representante. Então vamos ver o que é que vai ser feito, mas já é um sinal, já deram uma resposta”, pontuou.
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