Muitos especialistas destacam que os homens costumam cuidar menos de sua própria saúde do que as mulheres. Estereótipo de gênero e machismo são alguns fatores que ajudam a explicar o porquê isso acontece. De acordo com a psicóloga Luana Menezes, isso está ligado a própria educação de meninos e homens. “Toda vez que o menino tenta expressar um sentimento, se fala: ‘vida que segue’, ‘isso aí é bobeira’, ‘resolve isso aí que vai dar certo’, sabe? Então, esses sentimentos ficam o quê? Reprimidos, porque não se espera que o homem chore, não se espera que o homem expresse as suas vulnerabilidades, as suas fragilidades. Logo, como ele cresce com essa repressão desses afetos, é muito difícil o homem na vida adulta pedir ajuda. Então, quando a gente percebe esses índices, as estatísticas, que os homens procuram muito menos por atendimento médico, por atendimento psicológico, isso advém desse tipo de cultura que a gente está reproduzindo”, explica.
Para a psicóloga, esse tipo de comportamento faz com que muitos homens vejam exames e consultas como uma ameaça à masculinidade. “Ele aprende desde pequeno de que ser homem está ligado a essa questão do machismo, é ser forte. E daí a gente precisa repensar que homem é esse? O que é ser homem e o que é ser mulher?”, comenta. “Não tem a ver com homem ou mulher. Então, por exemplo, esse tipo de fala que antigamente a gente ouvia isso, ‘Ah, isso é coisa de mariquinha’, ‘isso é coisa de mulherzinha’. Percebe que, sempre quando se fala isso, está se inferiorizando a mulher?”, acrescenta. “A criança sente, ela sente necessidade de colo, de abraço, de carinho, então isso é uma condição humana, só que os homens se esquecem disso. Então, por isso que fazer exame na vida adulta acaba se tornando tão difícil, porque ele esqueceu, ele foi ensinado que ele, vamos dizer assim, não seria humano, e é justamente isso que adoece, essa condição de eu não me permitir ser humano, de eu não me permitir ser falho”, afirma.
O assunto sobre os cuidados com a saúde masculina é mais reforçado durante a campanha Novembro Azul. Conforme Luana, campanhas de conscientização como essa ajudam a afastar esse preconceito e ideia de que homem não fica doente. O assunto foi abordado com mais detalhes em entrevista no programa Ponto de Encontro. Ouça mais na íntegra:
Para a psicóloga, é importante que meninos sejam ensinados desde cedo a entender suas emoções e sua própria saúde, incentivando o socioemocional e autocuidado. “Ensinar eles a se cuidarem desde pequenos, porque fica muito difícil eles se cuidarem na vida adulta, cuidados dos seus filhos, cuidarem até mesmo dos seus pais, quando seus pais vão ficando mais velhos, porque essas estatísticas também apontam que as mulheres cuidam muito mais dos seus pais no momento do envelhecer do que os homens. Então, isso está enraizado na nossa cultura, porque o homem não foi incentivado quando jovem a fazer isso. Então, para eles, fica muito difícil ocupar esse lugar. Também não à toa, quando o homem chega na terceira idade, eles são também os que mais sofrem de depressão, de suicídio, as taxas também são aumentadas para homens do que mulheres”, conta.
A especialista ainda reforça que é necessário que os homens desconstruam essas ideias e preconceitos, principalmente quando se relacionada com o câncer de próstata, por exemplo. “É apenas uma parte do seu corpo que precisa ser examinada e trazer junto com essa questão essa parte de ‘bom, eu sou vulnerável, sim’. Posso ter uma doença e se eu tiver uma doença, eu preciso me tratar, porque aí tem um outro aspecto também que é o medo de lidar com a doença”, afirma. “Encarar a dor, encarar uma doença, é sinal de força. A gente encarar a nossa vulnerabilidade não é fraqueza não, encarar a nossa vulnerabilidade é força, porque daí, olha só, eu estou lidando com uma coisa difícil que eu descobri”, complementa.








































